O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 23/02/2020
Norberto Bobbio, expoente da Filosofia do século XX,em sua obra “A Era dos Direitos”,destaca o direito à cultura como fundamental para a construção de uma sociedade. Contemporaneamente,o canaval se mostra como relevante movimento cultural do Brasil,e sua preservação faz-se necessária segundo o pensamento do autor italiano. Entretanto,sua desvalorização impede sua atuação como símbolo da nacionalidade brasileira, fato que é subproduto de questões governamentais e culturais.
Em uma primeira análise,o desprestígio do carnaval possui estreita relação com a ineficiência estatal. Essa correlação tem origem na secundarização dessa agenda pelos governantes, que se agrava pela corrupção endêmica da máquina pública, o que praticamente inviabiliza incentivos satisfatórios para a ocorrência desse evento em locais menos abastados. Nesse sentido, Gilberto Gil defendeu que a falta de estímulos governamentais torna-se um responsável direto pela elitização da arte. Desse modo, pode-se dizer o mesmo sobre a precária democratização do carnaval, tornando-o privilégio dos segmentos sociais mais favorecidos,o que impossibilita seu caráter de formação identitária no país.
Ademais, em segundo plano, o corpo social fomenta a desvalorização carnavalesca, visto que não confere a devida importância às produções culturais. A gênese desse cenário possui motivações históricas, já que as civilizações do presente século hipervalorizam conhecimentos acadêmicos e associam manifestações culturais, como o carnaval, à rebeldia. Segundo Theodor Adorno, esse contexto permitiu o nascimento da Indústria Cultural: a propagação de uma cultura de massa,que visa apenas a obtenção de lucros. Dessa maneira,a exposição a essa indústria capitalista permite a alienação dos cidadãos e o esquecimento do valor social do carnaval para a população.
Portanto, a incompetência estatal e a compactuação da sociedade consubstanciam a neutralização das funções sociais do carnaval como símbolo da nacionalidade no século XXI. À vista disso, o Poder Executivo Federal, sob forma da Secretaria Especial da Cultura, deve implementar uma política verdadeiramente democrática nesse campo, por meio de investimentos substanciais em eventos carnavalescos em locais menos privilegiados,os quais garantam a geração de grande quantidade de empregos nessas áreas,a fim de movimentar a economia local e deselitizar o carnaval no país. Assim,o direito proposto por Norberto Bobbio será efetivamente assegurado no Brasil.