O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 01/03/2020
Na obra “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago, o autor recria uma sociedade supostamente cega, a qual se desponta de uma ausência de percepção pela mesma, gerando assim uma degradação ao meio. Dessa forma, assemelha-se o carnaval brasileiro, já que está permeado de bárbarie e inconsciência social. Portanto, é de suma importância fragmentar e discernir esse evento cultural e suas relações causais.
No que concerne, o carnaval discorre por uma historicidade demarcada no período colonial por escravos que buscavam algum meio de entretenimento em meio a sua realidade atroz, remetendo-nos ao arcabouço cultural-nacional, ou seja, ao patrimônio cultural da nação. Ademais, na contemporaneidade essa manifestação sofreu uma enorme ressignificação, tendo mais por sua denotação de um evento com uma má distribuição de investimentos do poder público para estruturas sociais debilitadas, tornando assim essa peça cultural uma ótima ferramenta para alienação populacional.
Conforme, a pensadora alemã Hannah Arendt, discute que naturalizamos a violência, a ponto de banalizarmos e não enxergarmos mais como um fator preocupante. Sob essa ótica, vale ressaltar que a violência no período “carnavalesco” cresce exponencialmente. Dessa maneira, há um suprassumo da banalização na nossa sociedade, não concebendo nenhuma virtude ou transformação social e sim evidenciado uma nação com diversos entraves em sua fundamentação.
Vide que esse evento nacional possui notáveis impasses em sua realização e organização. Destarte, cabe ao Ministério da Família e o Poder Executivo, ministrar uma fiscalização rigorosa sob os investimentos feitos e criar novos métodos para um melhor desempenho na distribuição para as estruturas fragilizadas, mas também qualificar a segurança no momento desses festivais, informando toda a sociedade dos acontecimentos e lapidações, a fim de reduzir a banalização disseminada e a inconsciência coletiva, assim apontada por José Saramago.