O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 28/02/2020

Na Roma antiga, a política de “Pão e Circo” foi criada como uma estratégia de combate às manifestações populares, uma vez que gerava um sentimento de nacionalismo e contentamento ilusório que atingia toda população. Séculos após a queda do império romano, é fato que a realidade brasileira assemelha-se a de outrora: O carnaval, apesar constituir-se como um importante elemento da cultura nacional, tem sido utilizado como forma de distração e manipulação do povo brasileiro. Tal fato é extremamente preocupante, visto que o evento demanda enormes gastos públicos e, muitas vezes, intensifica diversos  problemas sociais  já existentes no país, como a má organização pública.

Em primeira análise, é cabível citar a alteração de sentido sofrida pelo evento nos últimos anos  como o principal fator responsável pela sua descaracterização enquanto componente da nacionalidade brasileira. Consoante ao psiquiatra brasileiro Augusto Cury, a cultura é fundamental para identidade de um povo. Neste sentido, é visível que o Brasil caminha contra tal lógica: O carnaval tem perdido seu viés cultural e torna-se uma ferramenta política para o encobrimento de problemas sociais, tal como na Roma antiga, e desvio de verbas públicas. Assim, os brasileiros deixam de ter acesso à serviços básicos de qualidade ao mesmo tempo em que suas tradições tornam-se  elementos de uma indústria cultural perversa.

Por conseguinte, a execução das festividades carnavalescas exigem grande estrutura e organização pública que muitas vezes não são fornecidas, o que gera um caos social durante o período de comemorações. A exemplo disso, pode ser observado o aumento da violência nesta época do ano, devido ao policiamento insuficiente. Dados divulgados pelo Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, comprovam que houve um crescimento de 20% nos registros de violência sexual nas ruas quando comparado os carnavais de 2018 e 2019. Tal fato somado a inúmeros outros contribui para a desvalorização da festa e para perca de seu valor como representante da nacionalidade brasileira.

Isto posto, torna-se de extrema importância a realização de um debate a nível nacional sobre o tema. É cabível ao ministério da cidadania a criação de políticas que solucionem a problemática. Para isso, o desenvolvimento de medidas que recuperem o viés cultural do carnaval de forma honesta e sem interferir na verba de serviços básicos é fundamental. É necessário também uma parceria entre as esferas estaduais e municipais de forma a garantir a organização, qualidade e democratização do evento e evitar que índices como os apresentados em 2019 se repitam. Somente assim será possível alcançar um carnaval limpo, original e verdadeiramente representante da cultura brasileira, tal como idealizado por Augusto Cury e deixar para trás a política de pão e circo.