O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 26/02/2020

Desde os tempos coloniais, o Brasil tem tentado criar suas próprias expressões culturais, livre, total ou parcialmente, das influências europeias da época. Nessa busca de identidade, o Carnaval apareceu como grande símbolo artístico. Mas, com o passar do tempo e a evolução dos meios de informação, o que antes se dava pela apelação humilde e musical da periferia tornou-se mais um produto comercial de financiamento coletivo.

Com o Império Romano promovido por Otávio Augusto, em seu tempo de glória, a manipulação social passou a ser vista como indispensável para os ditadores e anti-democráticos. A política do “pão e circo” age atualmente, no Brasil, na forma de eventos estimulados e agraciados pela população, como o Carnaval.

A identificação do Carnaval, pelo brasileiro, como algo nacional e único, investida e promovida na geração desse senso de pertencimento e exclusividade, são grandes atrativos para levar às ruas os que querem apenas compartilhar da diversão, gerando, inevitavelmente, alta procura por alimentos e bebidas e consequente abuso e superfaturamento no preço desses suprimentos básicos. Consumo que alimenta os responsáveis e investidores dos blocos e desfiles.

O Carnaval ocorre no início do ano. Suas manifestações alegres e descontraídas intercedem sobre um período em que boa parte da população trabalhadora volta às suas funções. Em épocas de eleição e recorrente ocupação dos cargos públicos, o evento pode obscurecer, também, as cobranças e requerimentos dos eleitores que votaram em seus representantes. Esses desvios intencionais podem contribuir para a manutenção de abusos e corrupções promovidas por empresas e governos.

A ação contra a dissimulação de governos manipuladores está no bom senso de todos os praticantes da democracia, em objetivo de garantir que o melhor para a população seja conferido. Além da garantia de uma prática artística digna e nacional aos consumidores carnavalescos, livre das aferições econômicas e práticas abusivas das empresas, principalmente, através da fiscalização de órgãos competentes como o PROCON.

Assim como, medidas da Justiça Eleitoral no período pós-carnaval no objetivo de lembrar o eleitorado da importância de se cobrar os representantes, além do incentivo de Tribunais da Justiça do trabalho para a denúncia de patrões e empresas que não desempenhem a favor do bom convívio Patrão-Empregado. São estas, medidas que poderiam aliviar as ações negativas de uma manifestação importante como o Carnaval.