O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 01/03/2020
Na obra “Conto de escola” do século XIX, Machado de Assis, escritor oitocentista brasileiro, critica as contradições do corpo social brasílico. De maneira análoga, e apesar do lapso temporal, os problemas de ordem social e política percebidos pelo autor ainda persistem hodiernamente, como notado nas dificuldades do carnaval como símbolo da nacionalidade do Brasil. Essa problemática está intrinsecamente ligada à corrupção e à sexualização da mulata brasileira.
O desrespeito às leis e a ruptura das “regras do jogo”, seja na esfera política ou cotidiana sinalizam como impasses para a superação dos problemas associados a festa carnavalesca. Sob essa perspectiva, em “O futuro da Democracia”, Norberto Bobbio, filósofo e intelectual italiano, analisa os contrastes entre democracia real e ideal. Para ele, embora os organismos estatais, em teoria, distem de mecanismos positivos, esses não são postos em prática, visto que, na democracia real há o rompimento das leis, essa circunstância fomenta a corrupção e representa a ruptura do real significado do carnaval. De fato, a fragmentação dos princípios normativos aliada a ineficácia do Estado em colocar em prática as leis vigentes configuram como empecilhos para o desenvolvimento do país. Exemplo disso, uma matéria noticiada, recentemente, pelo portal “O Globo” que torna evidente a ligação entre “bicheiros” condenados por corrupção relacionados diretamente ao financiamento do carnaval carioca.
Além disso, um dos desafios do país é o turismo sexual que está associado a objetificação e erotização da mulata brasileira.Essa representação foi historicamente construída pelo estereótipo de servilismo sexual, sustentado por uma narrativa de escravidão, criando assim um ícone dotado de erotismo. Dessa forma, a mídia, por meio do carnaval intensifica a comercialização e espetacularização dessa imagem pondo em questionamento a figura da mulher e colocando-a em lugar de desprestígio no tecido social. Prova disso é a “globeleza”, nome dado à mulata que samba seminua nas vinhetas da “Rede Globo”, situação que fomenta o turismo sexual, deturpa a imagem da mulher brasileira e sinaliza como um impasse para a efetivação do carnaval como símbolo da nacionalidade.
Logo, medidas devem ser tomadas para amenizar o infortúnio, a saber, o Governo Federal, por ser a instância máxima administrativa, em parceria com as polícias : civil e federal, deve, por meio de mutirões, promover operações com o objetivo de investigar “bicheiros” que financiam o carnaval, a fim de puni-los e recuperar o verdadeiro significado da festividade. Ademais, o Ministério da Educação, junto a instituições de ensino pública, deve desenvolver ,em bibliotecas públicas, o debate sobre a valorização e importância da mulher no cenário atual, bem como, sua história no percurso do tempo, dessa forma, através da educação, a figura feminina não será objeto de sexualização.