O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 01/03/2020
Do ponto de vista sociológico, cultura pode ser entendida como toda criação humana. Logo, hábitos, crenças, costumes, valores e leis representam alguns dos fatores constituíntes a essa vertente. Sendo assim, é possível relacioná-la ao processo de formação social de um indivíduo, haja vista, asseverar a partir de tais elementos a possibilidade de construção de caráter identitário individual e coletivo. Em virtude dessa ocorrência, o Homem como sujeito cultural teve seu interesse despertado ao que concerne à sua interação com o meio em que vive. A partir de então, cada ser social passou a buscar formas de traduzir suas expressões mais intrínsecas de forma a alcançar maior sinergia. Como conseguinte, é pertinente afirmar que atualmente o carnaval funciona como importante instrumento de reconhecimento brasileiro por abranger diversos componentes ligados à ideia de arte e linguagens. Nesse sentido, é necessário que haja um cuidado preciso quanto à forma de desenvolvimento desse evento artístico para que tal amplitude não seja vinculada como objeto de apropriacão cultural.
Em primeira análise, a mídia é colocada como significativo aparato de toda forma de propagação das mais diversificadas manifestações existentes no sistema, isso porque as rádios e emissoras de televisão contêm boa parte dos conteúdos produzidos diariamente pelos indivíduos. Com efeito de tal posse, o que se vê mais tarde é a manipulação da essência inerente às culturas. A posteriori, os veículos de comunicação transformam aquilo que antes era tido como original em objetos de consumo para o capitalismo.
Uma segunda perspectiva, ratifica-se na linha de pensamento do sociólogo Karl Marx, pois esse coloca o modo de produção capitalista como destruidor do próprio operário responsável pelo funcionamento de todo seu mecanismo. Segundo ele, a mercadoria se humaniza, ao passo que o homem se inutiliza, ou seja, a espontâneidade por vezes é assemelhada ao consumo. Logo, música, teatro, dança, esportes são classificados como forma de entretenimento ao invés de reflexão e expressão.
Portanto, diante desse contexto, entende-se que a Constituição, aliada ao poder Executivo e Legislativo, deve mediar os conteúdos divulgados pelas redes de comunicação, a fim de que toda matéria bruta produzida pela cultura seja conservada. Ademais, tal controle impediria que apropriações culturais representem uma consequência direta do capitalismo, fato que ocasiona uma sucessão de criação de esteriótipos e padrões. Como disse Julian Assange, “é a mídia que controla as fronteiras do que é politicamente permissível, então é melhor mudar a mídia”. Caso isso ocorra, ter-se-á as funções do mito desempenhadas corretamente, consoante escritos de Joseph Campbell em “O poder do Mito”.