O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 28/02/2020

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a submissão do carnaval aos interesses políticos apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária que mescla conflitos nas esferas políticas e sociais, analisar seriamente as raízes e os frutos dessa problemática é uma medida que se faz imediata.

Em primeiro lugar, é indubitável que a questão governamental esteja entre as causas do problema. Segundo o filósofo grego Aristóteles, a Política deve ser utilizada de modo que, por meio da Justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. De maneira análoga, é possível perceber que o uso do carnaval como meio de controle populacional rompe essa harmonia, haja vista que muitas prefeituras investem dinheiro público na realização tal evento, visando a distração da população e o consequente benefício próprio, através de uma prática conhecida, desde a Roma Antiga, como a “política do pão e circo”.

Outrossim, destaca-se a elitização do carnaval como promotora do problema. De acordo com o sociólogo francês Émile Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de agir e de pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que o alto custo dos figurinos carnavalescos impede a participação popular. Logo, o carnaval não pode ser considerado uma festa democrática e inerente ao povo brasileiro, pois só as altas camadas da sociedade tomam parte desta festa, enquanto a maioria do povo apenas assiste e, muitas vezes, não possui nem as condições mínimas de sobrevivência.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar esta situação, necessita-se, urgentemente, que o Congresso Nacional proíba a distribuição de verbas públicas para eventos como o carnaval; este dinheiro deverá ser usado na construção de obras que beneficiem as populações de baixa renda, a fim de garantir-lhes as condições básicas se subsistência para que, em um futuro próximo, o carnaval volte a ser verdadeiramente um símbolo da nacionalidade brasileira. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo da “política do pão e circo”, e a coletividade alcançará a Utopia de More.