O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 29/02/2020
Um dos problemas mais significativos da sociedade brasileira contemporânea é a descaracterização do carnaval, um dos maiores símbolos da identidade nacional desde o período colonial. Esse infortúnio está relacionado, sobretudo, à elitização do festival, bem como à mercantilização dos eventos. Em vista disso, há a necessidade de serem tomadas medidas para solucionar ou minimizar a problemática.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o carnaval surgiu com a característica de supressão de regras e padrões sociais e, no Brasil, nasceu como um modo de manifestação popular dos escravos. Porém, atualmente, tal festival vem perdendo seus atributos, por exemplo, por meio da elitização e da formação de camarotes. Nesse sentido, percebe-se que isso é muito preocupante e contraditório, visto que promove a segregação humana, a qual, segundo a filósofa Hannah Arendt, fundamenta os projetos biopolíticos, favorece a eficiência de mecanismos de controle dos indivíduos, e pode ocasionar novas formas de totalitarismo.
Além disso, outro fator determinante do problema é a mercantilização do carnaval, a exemplo dos gastos públicos exorbitantes com os eventos. Conforme o portal de notícias G1, no Brasil, os gastos com blocos de carnaval chegam a 35 mil reais e podem movimentar 4 bilhões de reais no Rio de Janeiro. Nesse contexto, nota-se que isso é muito alarmante, pois o carnaval, apesar de sua importância histórico-cultural, não é prioridade se comparado a direitos básicos como educação, saúde e moradia, os quais não são garantidos a todos os cidadãos, mas que poderiam ser se os gastos financeiros públicos fossem replanejados.
Fica evidente, portanto, a necessidade de mediação dos setores da sociedade e da mídia, entre outros agentes sociais. Assim sendo, é necessário que o Estado reincorpore o Ministério da Cultura, tornando possível uma maior acessibilidade ao carnaval, mediante a criação de eventos públicos de carnaval patrocinados por ONGs, com auxílio de incentivos fiscais concedidos pelo setor privado, além de distribuir bem os gastos públicos e investir mais em serviços básicos. E a mídia deve exercer sua função social, alertando, investigando, denunciando e fiscalizando, principalmente, os demais poderes republicanos, garantindo que haja equilíbrio, equidade e decisões em prol da sociedade no Estado democrático de direito. Em suma, entre outras medidas, essas podem democratizar o carnaval e promover uma boa relação custo-benefício de gastos financeiros com os eventos.