O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 01/03/2020
Na Roma Antiga, a estratégia política de “Pão e Circo” foi amplamente utilizada pelos líderes, com o intuito de entreter a população com lutas de gladiadores e distribuição de pão nos estádios, a fim de que a mesma não tivesse tempo de refletir os problemas sociais, os apoiassem e tivesse a dissimulada impressão de divertimento constante. Na contemporaneidade, esse cenário de “Pão e Circo” mostra-se implicitamente presente na crescente imagem do carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira em pleno século XXI. Assim, esse entrave de contornos específicos se caracteriza em uma festa que se torna, cada vez mais, uma mercadoria cultural sem debate da sociedade a respeito, bem como um momento de exagerada busca por prazeres momentâneos de forma irracional e imediatista pelo povo.
Em primeira plano, é importante destacar que, o carnaval apresentado como festa popular, nada mais é, senão, uma festa aristocrática fomentada por um sistema com finalidades lucrativas e incentivo governamental, que ao invés de priorizar a sua democratização, aproveita-se dos benefícios, como os líderes políticos romanos. Por esse viés, o filósofo Foucault defende que, na sociedade pós moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nesse sentido, percebe-se uma lacuna no que se refere ao debate sobre a festividade carnavalesca como símbolo de nacionalidade, mas que na prática é estratificada e tratada como produto. Dessa maneira, sem diálogo sério e massivo, o infeliz prejuízo com os elevados gastos públicos às festividades carnavalescas, ao invés de investimento nas áreas básicas, vai para a população pobre iludida de estar sendo agraciada.
Ademais, outro ponto importante nessa temática, é o imediatismo do ser humano e sua procura excessiva por prazeres, sem analise de consequências futuras. De acordo com o Hedonismo, filosofia grega, o prazer é o bem supremo da vida humana. Nessa perspectiva, a busca por deleites instantâneos é justificada como o sentido da vida moral. No entanto, essa procura caracteriza-se como um agravante na questão do enaltecimento do carnaval brasileiro, a partir do momento que esse exacerbado enaltecimento pela festividade reflete uma fuga da realidade, onde questões importantes são deixadas de lado, de maneira irresponsável. Logo, o que deveria ser apenas um espaço para diversão, torna-se reflexo de problemas, como a questão da saúde pública coletiva.
Impende, portanto, medidas estratégicas capazes de assegurar que o carnaval, como símbolo do Brasil, seja democrático e responsável. Para isso, é preciso que a Secretaria da Cultura, em parceria com os Governos Estaduais, promovam rodas de debates, em ambientes educacionais, sobre como esse evento pode ser melhorado para todas as classes, e não apenas uma “arma” política de “pão e circo”. Tais eventos devem ser anuais, dirigidos por especialistas e abertos à comunidade.