O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 11/01/2021
Embora a Constituição Cidadã, promulgada em 1988, trate lazer como um direito humano fundamental, percebe-se que, na realidade brasileira, não há o cumprimento dessa prerrogativa, principalmente no que diz respeito à comemoração do carnaval, festejo considerado símbolo nacional. Esse cenário nocivo ocorre não só devido à crescente onda de violência presente nos blocos carnavalescos, mas também em razão da preocupante má alocação de lixo pelos foliões.
Em primeira análise, pontua-se a criminalidade que impera no período do carnaval, tendo em vista que, segundo o jornal Folha de São Paulo, em 2019, crimes como roubo e assédio sexual são recorrentes nessa celebração. Nessa lógica, o sociólogo brasileiro Júlio Jacobo pontua que a violência brasileira deriva da intensa desigualdade das classes, o que gera um verdadeiro “apartheid” simbólico no corpo civil e, em consequência, estimula a agressividade entre as tribos. Sob essa ótica, o fenômeno de “camarotização” dos blocos de rua, assim como o uso de cordas para delimitar espaços de folia, ao utilizar o poder aquisitivo como critério de acesso a determinados privilégios, tanto exclui grupos menos favorecidos economicamente, quanto suscita o preconceito, o medo e a hostilidade entre estes e, dessa forma, deteriora a coesão social.
Ademais, é alarmante a falta de percepção ambiental dos carnavalescos quanto aos resíduos lançados em vias públicas, tendo em vista que, de acordo com a ONG “Global Garbage”,no carnaval de 2020, foram recolhidos pelas avenidas cerca de 10% de lixo a mais que em 2019. Esse obscurantismo civil é análogo à menoridade intelectual, delineada pelo filósofo iluminista Immanuel Kant, o qual afirma que o indivíduo alcança sua “maioridade” ao passo que deixa de agir de maneira alienada e passa a proceder consoante ao exercício da razão. Logo, o folião só alcançará a maioridade crítica quanto ao abandono inadequado de dejetos quando entender que sua atitude irresponsável causa transtornos como alagamentos, proliferação de doenças e agravamento dos lixões à céu aberto.
Verifica-se, portanto, a necessidade de combater essa problemática. Para isso, enfatiza-se que o governo melhore a infraestrutura do festival supracitado para as parcelas populares, por meio da instalação de postos políciais, além da recuperação dos espaços tradicionalmente utilizados, com o fito de proporcionar uma festa segura e com qualidade. Desse modo, a hostilidade será coibida. Com igualdade, que o Ministério da Educação, fomente a conscientização ecológica, por intermédio de comerciais televisivos que chamem atenção para os efeitos do acúmulo de dejetos derivados dessa festividade, com o objetivo de diminuir tal ato ambiental tóxico. Dessa maneira, o meio público será preservado, bem como a Constituição, efetivada.