O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 21/10/2021

Na animação “Rio”, a cultura brasileira é exaltada e o carnaval é um dos focos da trama. Tal aspecto cultural é vital para demonstrar a essência do país, pois resulta do sincretismo da cultura portuguesa e africana, logo, sendo única mundialmente. Entretanto, ainda que remonte da Antiguidade, a festa atualmente difere do que já foi, e seus impactos econômicos e sociais ganham prioridade em relação à sua origem. Tal fato resulta em problemáticas que vão em contra-mão aos direitos promulgados pela Carta Magna. Dessa maneira, é importante analisar os impactos da festa, tendo em vista quão importante é seu simbolismo atrelado ao Brasil.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que o sentido da cultura, e como ela é renovada e modificada tem imensos impactos na esfera social. Sobre isso, a filósofa Maria Eliza Cevasco argumenta que quem controla a cultura arbitra sobre o valor. Sob esta ótica, o Carnaval que na sua origem tinha significado religioso ligado à Quaresma, hoje se limita a grandes festas, turismo e vendas. Pouco na comemoração atual remete á sua origem, assim, pode-se afirmar que, tendo sido esquecido a miscigenação e sincretismo -  grandes representantes da história do país, que deveriam ser lembrados - a cultura se tornou um bem a ser mercantilizado. Assim, torna-se claro a problemática: o artigo 5° da Constituição de 1988 mostra que é direito do cidadão acesso a sua cultura, e quem promove isso é o Estado. Entretanto, ao direcionar  recursos para promover tal direito, o real sentido da fomentação foi deturpado, e o Governo não cumpre seu dever.

Em segundo plano, é vital discutir tal fenômeno foi estudado pelo filósofo Theodor Adorno e recebeu o nome de Indústria Cultural. Na sua pesquisa, dissertou que o ônus dessa situação é o afastamento  não democrático de sua origem, pois concomitante á mercantilização de algo,  o acesso a ela se torna dificultoso. A partir disso, é possível aplicar tal visão na população brasileira, pois ainda que comemorem nas ruas e em blocos, existe uma grande parcela da sociedade que não tem acesso a ela. Tal ocorrência, aliada à mercantilização antes citada fomentam a ideia de que uma dos maiores representantes da brasilidade não é mais um representante, mas sim um produto.

Portanto, cabe ao Governo, por meio do Ministério da Cultura, modificar as estruturas do que hoje se entende por carnaval, esforçando-se por meio de incentivos fiscais e em conjunto com o poder legislativo local, a levar as festas a quem deveria comemora-las: o povo como um todo. Utilizando-se de leis e um esforço conjunto do Ministério, é importante relembrar o brasileiro de que antes de ser um produto, o carnaval é um reflexo dele mesmo. Com estas medidas, espera-se que a brasilidade e felicidade mostradas na animação sejam as mesmas de cada cidadão.