O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 19/08/2022
Na Roma Antiga, acontecia a chamada “política do Pão e Circo”, um jeito de desviar a atenção do povo dos problemas enfrentados pela cidade com apresentações festivas. Consoante essa realidade, o carnaval, símbolo da nacionalidade brasileira, mascara adversidades, tais quais a elitização da festa carnavalesca e sua violência. Logo, é preciso debater esse cenário.
Com efeito, destaca-se o encarecimento da comemoração de carnaval. Segundo o sociólogo Florestan Fernandes, o Brasil é marcado por desigualdades socioeconômicas. Isso é alarmante, dado que muitas pessoas não conseguem ir a festas carnavalescas, haja vista a falta de recursos financeiros para frequentar tal ambiente. Por conseguinte, esses cidadãos são segregados do evento cultural em questão, de modo a não expressarem plenamente os valores brasileiros.
Ademais, é importante ressaltar a violência em blocos de carnaval. De acordo com um levantamento de 2019 do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, a violência sexual contra mulheres aumenta 20% nesse período. Isso é preocupante, visto que a comemoração carnavalesca, que deveria ser utilizada como um meio de enaltecer a nacionalidade brasileira, torna-se um local hostil e violento. Ante o exposto, nota-se que a festa em discussão é um potencial perigo para as figuras femininas.
Portanto, é necessário solucionar o panorama em contexto. Para tanto, a fim de proporcionar um evento cultural seguro, cabe aos órgãos governamentais, a exemplo dos Ministérios da Cidadania e da Justiça, melhorarem o funcionamento dos blocos de carnaval, mediante não só a diminuição dos preços para assisti-los, mas também o aumento da segurança nesses lugares, de forma a combater a elitização da festa carnavalesca e a violência contra a mulher. Destarte, o carnaval não será mais análogo à “política do Pão e Circo”.