O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 05/11/2022

Confúcio, pensador e filósofo chinês, afirmou que “a cultura está acima da diferença da condição social”. Indubitavelmente tal frase traz um conceito mais amplo de cultura com ênfase na formação da identidade de um povo que perpassa todos os aspectos sociais. Todavia, essa concepção não é concretizada por um dos maiores símbolos da nacionalidade brasileira do século XXI: o carnaval. Nesse sentido, é fundamental analisar essa controvérsia com foco na exclusão social e no abandono histórico.

A princípio, é imprescindível destacar que a exclusão social, como principal desafio enfrentado pelo carnaval, é fomentada pela aristocratização do evento. Nesse viés, ressalta-se a privatização ou o superfaturamento de festas que se contrapõe à essência popular, ignorando as massas e tornando o carnaval como mero objeto de lucratividade. Outrossim, os carnavais de rua de 2022, em decorrência da prevenção contra à COVID-19, foram suspensos dando espaço a eventos privados com entradas inacessíveis pela maioria. Logo, põe-se em evidência uma distorção social marcada pelo descaso cultural.

Ademais, destaca-se um abadono histórico marcado pela ausência de políticas públicas que garantem a acessibilidade aos festejos populares. Não obstante, o artigo 215 da Constituição Federal de 1988 prevê que o Estado deve garantir o exercício dos direitos culturais. Sob essa ótica, percebe-se que essa negligência é persistente desde a época da Ditadura Militar, pela qual foi responsável pela desvalorização cultural e pelos ataques contra diversos símbolos nacionais. Logo, além da legislação ser ferida, ocorre o distanciamento entre o povo brasileiro e o reconhecimento de sua identidade.

Urge, portanto, que é necessário que o Ministério da Cultura - principal incentivador das manifestações culturais - promova um projeto de formação de políticas públicas que dá o direito à população de participar de qualquer festa de carnaval. Desse modo, deve haver reservas de espaços, abertos ou fechados, para tal prática e com a fiscalização dos órgãos municipais e patrocinadores durante o período de preparação do evento. Destarte, a inclusão social e valorização do principal emblema da Nação Brasileira seriam alcançados com sucesso.