O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI
Enviada em 21/03/2024
Carnaval é alegria, diversão, contravenção. É o momento de se despir do maçante compromisso cotidiano das relações profissionais e se permitir sorrir e brincar. Por isso, usar fantasias, roupas coloridas, chapéus estilizados e outros adereços, que nos permitam compartilhar essa felicidade com outros cidadãos, não pode ser encarado como ofensivo ou uma apropriação indevida de uma cultura por outra, porém um entretenimento que garante alegria aos participantes, mesmo que principiantes.
É importante salientar, inicialmente, que as pessoas vão para as ruas para se divertir, esquecer por instantes os problemas e lutas cotidianas. Querem comida, diversão e arte para dar um sentido mais amplo a sua existência. O que prevalece nesse momento é a brincadeira, o lúdico, o entretenimento, passando ao longe a ideia de hostilizar e humilhar qualquer segmento ideológico e cultural, mesmo a cultura indígena, tão sofrida e desrespeitada, principalmente pela classe política.
Convém ressaltar que o desrespeito não advém do fato de as pessoas usarem cocares ou adereços que façam referência à cultura indígena. Ele se consolida na não aceitação da forma em que eles vivem, no preconceito contra os nativos, na hostilidade que sofrem ou sofreram, como no caso do indígena incendiado em um ponto de ônibus em Brasília, na invasão e expulsão de suas terras, no pensamento estilizado de que eles são vagabundos. Esses fatores, somados, revelam um profundo desprezo e demonstram o quanto precisamos fazer e transformar para garantir a eles uma existência digna.
Com isso, focar a atenção em fantasias de carnaval é perder tempo com polêmicas supérfluas diante do gigantesco desafio de eliminar as graves agressões sofridas historicamente. Eles precisam de respeito, reconhecimento, segurança e que seus direitos, como cidadãos brasileiros, sejam respeitados. Necessitam que o governo garanta a inviolabilidade do seu território para não se tornarem vítimas de exploradores gananciosos. Por fim, cabe aos governantes e a à sociedade civil organizada mudar o rumo dessa verdadeira tragédia para que eles não percam sua identidade.