O carnaval como símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI

Enviada em 22/04/2024

De acordo com a famosa marchinha de carnaval de Zé Keti, intitulada “Máscara Negra”, essa festa popular é um momento de muita alegria para todos os foliões. Por isso, essa folia foi oficialmente escolhida como um símbolo oficial para representar a cultura brasileira. No entanto, no século XXI, essa visão lúdica do carnaval, infelizmente, foi transformada em produto de exportação e dominação das massas, como nunca havia sido feito antes.

A princípio, é importante destacar que o carnaval do século XXI tornou-se um produto da indústria cultural. Desse modo, é relevante abordar o pensamento de Adorno e Horkheimer, filósofos alemães da Escola de Frankfurt, que descrevem com detalhes como a massificação da cultura popular pode simplificá-la para torná-la mais rentável, fovorecendo o capitalismo. Ironicamente, quando isso ocorre, ela deixa de ser do povo e fica restrita às classes mais economicamente favorecidas, gerando milhões de dólares para poucas pessoas envolvidas no setor de turismo e eventos.

Ademais, além de ser lucrativo, é relevante analisar que o carnaval do século XXI tornou-se, também, uma forma de dominação dos corpos. Nesse sentido, segundo o portal de notícias G1, algumas modelos dos desfiles carnavalescos, investem muito dinheiro nas clínicas estéticas e nos procedimentos de cirurgia plástica, a fim de ficarem dentro do padrão de beleza imposto pela sociedade de consumo. Por conseguinte, a velha prática do “pão e circo”, na qual os governantes romanos entretiam a população com “shows” no Coliseu, é novamente utilizada, alienando os foliões e os espectadores das escolas de samba.

Destaca-se, portanto, que o carnaval ainda é um símbolo da nacionalidade brasileira no século XXI por interesses econômicos e políticos. Desse modo, é dever do Ministério da Educação, exemplo de órgão promotor da cultura nacional, incluir essa temática nas aulas de Educação Física, mediante a capacitação de professores. Isso, ajudará a resgatar o sentido real da alegria carnavalesca - a brincadeira. Desse modo, os foliões poderão continuar com o seu estilo desprentesioso, o qual Zé Keti retratou com maestria nas suas marchinhas de carnaval.