O casamento infantil no século XXI

Enviada em 12/09/2019

A história Menina Noiva, escrita por Bárbara Cunha, relata o casamento infantil e seu resultado no desenvolvimento psicossocial da criança. Fora da ficção, esse caso representa a realidade de milhares de brasileiras. Nesse sentido, torna-se premente analisar a principal causa e consequência dessa união, respectivamente: gravidez prematura e o domínio pós nupcial masculino sobre a jovem.

Em primeira análise, é lícito postular a gestação na adolescência como fator relevante. De acordo com a Constituição Brasileira, é estipulado a idade mínima de 18 anos para o casamento. Em contrapartida, o país apresenta altos índices de união precoce quando a menina está grávida, como afirma Paula Lacerda, autora do estudo “Fechando a brecha: Melhorando as leis de Proteção à mulher contra a violência”. Em virtude disso, a falta de opção leva a menina a entrar em um matrimonio inconcesso. Desse modo, é notória a necessidade da prevenção contra esse problema.

Faz-se mister, ainda, salientar o controle do homem após a união. Segundo a pesquisa “Ela vai no meu barco”, do Instituto Promundo, os homens, os quais estão em situações de matrimonio precoce, afirmam conseguir um maior controle quando a esposa é mais nova, devido à falta de imposição e opinião dessas. Isto é, o homem sente uma necessidade de controlar as escolhas do conjugue. Evidenciando o supracitado, o documentário Casamento Infantil conta a história de Daniela que casou com 16 anos e foi obrigada a deixar o sonho de ser dançarina pelo marido. Dessa maneira, torna-se indispensável a fragmentação desse pensamento masculino em relação as adolescentes.

Infere-se, portanto, a necessidade de ações aptas a desagregar o matrimonio infantil e possibilitar o pleno desenvolvimento pueril. Logo, urge que o Ministério da educação, em conjunto com escolas, inclua a matéria de Educação Sexual nessas instituições, com o intuito de conversar com os alunos sobre métodos contraceptivos e os efeitos a curto e longo prazo da gravidez, com o objetivo de preveni-las e, por conseguinte diminuir a problemática apresentada. Ademais, é necessário a implantação de palestras nesses institutos, com responsáveis, pedagogos e alunos, por meio da maior parcela de tributos destinados a essa causa, que objetivem a desintegração dessa ideia enraizada na sociedade e a formação de futuros maridos conscientes. Assim, será capaz a ocorrências de novas histórias como a desenvolvida por Bárbara Cunha.