O casamento infantil no século XXI
Enviada em 01/11/2019
Nujood Ali, uma figura central no movimento do Iêmen contra o casamento forçado e o casamento infantil, ressalta “o casamento infantil é um estupro com a benção da família e da sociedade”. Nesse contexto, nota-se que muitas crianças e jovens estão sendo submetidas á casar á força em vários lugares no mundo, incluindo o Brasil. Logo, o casamento infantil se desdobra em diversos problemas, seja pela exploração sexual de jovens meninas, seja pelo trabalho doméstico e ilegal que elas são submetidas ou pela falta de conhecimento gerado pela evasão escolar.
Em primeira análise, o documentário “Casamento infantil” conta a vida de duas garotas, que foram sujeitas ao casamento precoce. Bem como, mostra o impacto gerado na vida delas, acarretando vulnerabilidades para as meninas, além de intensificar as desigualdades de gênero. Também, o Brasil é o 4º país no mundo com maior índice de casamentos de crianças e adolescentes meninas, segundo estudo do Banco Mundial. Ainda mais, esse número vem aumentando, mediante a falta de conhecimento das crianças, principalmente em regiões pobres. Ainda mais, meninas que se casam antes dos 18 anos têm maior probabilidade de engravidarem, o que potencializa o risco de mortalidade materna e infantil, além de se tornarem vítimas de violência doméstica conjugal, abusos e até estupro.
Em segunda análise, o filme “Nojoom, 10 Anos, Divorciada” retrata a história de Nujood Ali, que foi entregue pelo seu pai à um homem mais velho, e que o surpreendeu ao fugir procurando a justiça para se divorciar , porém nenhuma lei no Iêmen proíbe o casamento infantil. Assim, os tribunais locais se encontraram em um dilema moral e religioso. Logo, filme denuncia as condições nas quais as meninas islâmicas são submetidas até hoje pela família com a desculpa de estar seguindo os costumes e a religião, que claramente beneficia o sexo masculino em detrimento da manipulação, humilhação e restrição ao sexo feminino ao nível máximo.
Portanto, a fim de erradicar a exploração sexual infantil, bem como as demais violências oriundas do casamento ilegal de menores, cabe a mídia trazer à tona , em narrativas fictícias, as consequências negativas advindas do matrimônio envolvendo crianças; isso pode ser feito mediante a transmissão de telenovelas em horário nobre, com o objetivo de causar maior comoção popular, debatendo acerca do abuso sexual e laboral infantil. Ademais, os coletivos femininos, por sua vez, podem realizar um ciclo de palestras e debates abertos em comunidades periféricas e regiões mais pobres , de modo a provocar uma reflexão sobre os impactos do casamento infantil; isso seria relevante para evitar a naturalização da violência de gênero entre essa faixa etária. Dessa forma, democrática e civilizada, a população terá em mente que o casamento infantil não é uma solução em nenhuma hipótese.