O casamento infantil no século XXI
Enviada em 08/03/2020
O documentário “Daughters of destiny”, além de expor a vida escolar de cinco meninas que vivem abaixo da linha de pobreza, também faz discussões acerca da realidade feminina na Índia, principalmente em relação à crianças e adolescentes que são coagidas a ter um matrimônio. Apesar de ser focado apenas na Índia rural, o casamento infantil é uma problemática ainda presente em muitos países e gera, desde evasão escolar de meninas, até mesmo relações abusivas e, por isso, medidas devem ser tomadas para a garantia da proteção e educação destes cidadãos que ainda estão na menoridade.
De acordo com dados da Unicef, o casamento infantil tem mais impacto na vida de meninas, sendo que 7,5 milhões entram nestes relacionamentos antes dos 18 anos. Isso ocorre pois vivemos numa sociedade patriarcal, em que a mulher é tratada como inferior ao homem e é induzida a se dedicar a se tornar uma boa esposa e às atividades domésticas desde a tenra idade, logo os estudos são negligenciados. Isso resulta na raridade de mulheres presentes na política, nas escolas e em empregos assalariados. Em muitos países, como o Paquistão, a ida de meninas à escola é algo quase impossível - famílias conservadoras negam o estudo as mesmas, alegando que o dever delas é se tornarem conjugues, e grupos, como o Talibã, ameaçam a segurança daquelas que se dedicam ao aprendizado. Esse foi o caso de Malala Yousafzai, baleada por defender o direito ao estudo de garotas.
Ademais, muitas dessas garotas são unidas a homens mais velhos, que na maioria dos casos já foram casados e possuem vida sexual ativa. São comuns, portanto, estupros e a ocorrência de gravidezes indesejadas por essas jovens, que ainda estão em fase de crescimento e não possuem condições anatômicas e psicológicas para gerar bebês, sendo normais complicações na gestação e no parto e a morte prematura de recém nascidos, e muitas vezes, das mães. Outrossim, aquelas que se casam antes dos 18, segundo dados, têm mais chances de sofrer violência doméstica, seja ela física ou verbal.
Tendo em vista a questão abordada, medidas devem ser tomadas em prol de todas essas jovens em situação de vulnerabilidade. Cada Estado, com o auxílio de organizações como Save the children, Unicef e ONU, deve criar medidas de proteção, proibindo o casamento antes da maioridade - e estabelecendo a mesma para, pelo menos, 18 anos - e anulando os que já ocorreram, criando delegacias da mulher, em que vítimas de violência doméstica sejam atendidas, incentivando a educação e formação superior de garotas por meio de propagandas expostas na mídia que influenciem pais à enxergarem outro futuro para suas filhas.