O casamento infantil no século XXI
Enviada em 08/09/2020
No contexto de pós-Primeira Guerra Mundial, as funções sociais femininas avançaram para muito além de mães e donas de casa. Seu lugar no mercado de trabalho e na educação cresceram bastante. Entretanto, no interior de países como o Brasil, jovens garotas ainda não conquistaram este direito à educação e independência. Nesse sentido, baixos índices de escolaridade e mortalidade entre as mulheres se relacionam ao casamento infantil.
Primeiramente, encontra-se o casamento na infância como forma de afastar as meninas da escolaridade e profissionalização. Para muitas garotas em condições precárias, casar-se com um homem mais velho parece ser a única opção e torna-se uma escolha delas. Segundo dados da fundação Abrinq, em 2019, mais de 35% das mães adolescentes abandonaram a escola ainda no ensino fundamental, nas regiões Norte e Nordeste. Nessa conjuntura, por conta da falta de escolaridade e consequente dependência financeira, as meninas tendem a aceitar e prolongar sua situação, sem perspectivas de mudança.
Além disso, muitas vezes casamentos nessa idade acompanham gestações indesejadas e perigosas. Segundo diversos médicos, ginecologistas e obstetras, a gravidez na adolescência é um risco para a saúde da mãe e do recém-nascido. Isso acontece por que o corpo da adolescente não está preparado para as mudanças de uma gestação, que pode ser fatal. Outrossim, muitas garotas cujo parceiro é agressivo se submetem a ele devido à necessidade e imaturidade.
Portanto, o casamento infantil concorda com baixos índices de escolaridade e altos números de mortes entre as meninas. Cabe ao Ministério da Educação investir não só no conhecimento dos jovens acerca dos riscos de um casamento precoce, mas também das suas oportunidades de escolha. Ademais, isso pode ser realizado por meio de projetos que visem a profissionalização e independência. Só assim, a evasão escolar e a mortalidade infantil feminina poderão ser evitadas.