O casamento infantil no século XXI

Enviada em 19/10/2020

O casamento infantil era uma prática comum nas sociedades medievais através dos casamentos arranjados, onde o objetivo principal era obter laços econômicos entre as famílias. Nos dias atuais, tal prática continua sendo aceita em muitos países, impedindo que milhares de crianças tenham acesso aos seus direitos, forçando-as a se comprometerem com responsabilidades das quais não estão preparadas.

Ao contrário do que as pessoas pensam, essas crianças não casam simplesmente porque querem. Muitas delas vivem em condições de extrema pobreza, ou almejam a conquista da liberdade, por viverem uma vida de limitações, e enxergam o casamento como uma rota de fuga desses problemas. Mas, a realidade da vida conjugal delas é outra, seus maridos têm o controle de suas vontades e do seu corpo. Elas sofrem diariamente com violências física e psicológica, engravidam cedo, se tornam servas domésticas e escravas sexuais, largam a escola e vivem exclusivamente cuidando casa e dos filhos.

Segundo dados de uma pesquisa realizada pelo IBGE, o Brasil é o quarto país do mundo em números de meninas casadas com menos de 18 anos. Prática presente no país inteiro, não só nas regiões consideradas mais pobres, mas também nas grandes ocupações. O fato desse assunto não receber a devida atenção faz com o que ele continue recorrente e mais crianças perderão uma fase importante no desenvolvimento do ser humano que é a infância. Tudo o que acontece com uma criança repercute diretamente na sociedade.

Portanto, é importante que todos se conscientizem de que menina é pessoa em situação de desenvolvimento. Aumentando o acesso de crianças à educação e aos serviços de saúde ajudaria a abranger o conhecimento delas sobre os perigos de um casamento precoce. Ademais, cabe ao poder legislativo alterar a lei atual que proíbe o casamento de menores de 16 anos, para a criminalização do casamento infantil de menores de 18 anos.