O casamento infantil no século XXI
Enviada em 20/11/2020
Produzido pela Disney, o filme da Cinderela conta a história da princesa que é maltratada pela tia e primas até o dia que vai para o baile e encontra o seu príncipe. Em vista disso, muitas meninas possuem a ilusão de que irão encontrar ele, e junto dele seu refúgio, com a expectativa de que todos os seus problemas irão se solucionar, e dessa forma, aceitar e se submeter a casar cedo, perdendo sua infância, além de poder sofrer abusos sexuais e ser violentada. Nessa perspectiva, esses desafios devem ser superados de imediato para que uma sociedade integrada seja alcançada.
Em primeira análise, vale destacar a perda da vida infantil quando uma criança se submete a um casamento nessa fase, deixando de brincar com suas bonecas para cuidar dos seus filhos, dando início a sua maternidade. Além do mais, por essa razão, acabam sendo obrigadas a abandonar os estudos, não concluindo sua graduação e prejudicando totalmente a sua vida. Ademais, o Brasil se encontra em quarto lugar no ranking mundial no quesito do casamento infantil, deixando evidente a quantidade de casos de meninas subordinadas a largar tudo para viver o matrimônio.
Outrossim, a diferença de idade entre os conjugues é outro fator para ser analisado, visto que o homem por ser mais velho que sua parceira, se sinta no direito de mandar no casamento e na sua esposa. Destarte, na maioria das vezes, em questão da baixa idade da menina, ela não consegue um emprego e necessite da renda do marido para se sustentar instituindo que ele se sinta mais autoritário sobre ela. Paralelo a isso, de acordo com Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, a falta de solidez nas relações sociais é característica da “modernidade líquida” vivida no século XXI. Diante de tal contexto, é possível notar como o homem de total consciência não possui convicção de seus atos quando se casa com uma criança, fazendo-a não deixar de viver sua infância.
Infere-se, portanto, que medidas sejam tomadas diante de tal contexto. Cabe ao Estatuto da criança e do adolescente reestruturar a lei existente acerca do casamento infantil e realizar campanhas de conscientização do problema por meio de palestras e comerciais de TV, para que desse modo, pais e filhos conheçam e entendam os malefícios do perigo ao se realizar um matrimônio na infância, com a finalidade de evitar que as crianças percam suas vidas por estarem presas em um casamento e dessa maneira, conseguir realmente aproveitar essa fase de sua vida.