O casamento infantil no século XXI
Enviada em 12/05/2021
A obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, retrata uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é marcado pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que o casamento infantil ainda persiste no século XXI. Nesse âmbito, é lícito destacar como principais causas a falta de debate e a negligência governamental.
Convém ressaltar, a princípio, que o silenciamento é um fator determinante para a persistência da problemática. Nesse sentido, o filósofo Habermas traz uma contribuição relevante ao defender que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Desse modo, para que os casos de casamento infantil sejam diminuídos, faz-se necessário debater sobre as dificuldades relacionadas a isso, por exemplo, a violência, gravidez precoce e dependência financeira. No entanto, percebe-se uma lacuna no que se refere ao assunto, que ainda é muito silenciado. Assim, trazer à pauta esse tema e debatê-lo aumentaria uma chance de atuação nele.
Além disso, é notório que o Poder Público não cumpre seu papel enquanto agente fornecedor de direitos mínimos. Embora a elaboração da Constituição seja baseada no sonho de bem-estar social para todos os indivíduos, incluindo as crianças e adolescentes, isso não acontece de uma forma efetiva, visto que casamentos infantis, que trazem inúmeros prejuízos à integridade desses indivíduos, ainda ocorrem. Nesse contexto, percebe-se que essa inaceitável questão de vulnerabilidade configura um irrespeito colossal, que, portanto, deve ser modificado em todo o território.
Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Destarte, a mídia deve criar um projeto que vise informar a população sobre os problemas relacionados a um casamento ainda na infância. Isso deve ocorrer por meio de propagandas televisivas e de reportagens, com a participação de profissionais competentes, a fim de mobilizar a população contra essa prática. Dessa maneira, será possível que esses casamentos sejam gradativamente minimizados na sociedade.