O casamento infantil no século XXI
Enviada em 13/05/2021
As relações matrimoniais, por muito tempo, não passavam de acordos entre as famílias que, a fim de obter benefícios financeiros e sociais, comprometiam seus filhos, desde criança, à casamentos arranjados, sem medir as consequências ou considerar suas vontades. Atualmente, embora os indivíduos tenham mais liberdade para fazerem suas escolhas, ainda há fatores coercitivos que fomentam os casos de casamento infantil, no século XXI. Esses fatores são: A raiz patriarcal e a inflência cinematográfica.
Em primeiro lugar, é válido analisar que o patriarcalismo, ainda tão presente nas sociedades modernas, favorece o casamento precoce. Para ratificar essa ideia, a filósofa alemã Hanna Arendt afirma que o pior mal é aquele visto como algo corriqueiro e cotidiano. Sob esse viés, a hierarquização de gênero, como o machismo, tornou-se comum no convívio social, estando escondida, muitas vezes, atrás da imagem do casamento. Sendo assim, a jovem menina, influenciada pela pressão e pelos valores culturais na qual está inserida abre mão da sua infância e juventude, e decide submeter-se a um matrimônio que, posteriormente, pode levá-la a sofrer abusos psicológicos e violência doméstica, carregando sempre um discurso conservador de que isso é neccessário para alcançar a estabilidade emocional, associada a figura masculina. Dessa forma, a banalização do patriarcalismo, no casamento, faz com que muitos indivíduos menores de idade optem pelo matrimônio, desconsiderando os males que possam existir nele.
Em segundo lugar, a idealização dos laços humanos, desenvolvida pelas obras de cinema, ocasiona ,também, o casamento infantil. Com base nisso, para o escritor George Orewell, " A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e mídia controla a massa". Essa tese fundamenta a forte influência das produções midiáticas hollywoodianas que, para atrair consumidores, criam filmes que romantizam exageradamente o casamento, tornando-o um símbolo de aceitação social. Dessa forma, uma vez que as pessoas buscam entretenimentos que fujam da realidade corriqueira, as produções cinematográficas aproveitam-se da imagem ilusória do matrimônio, ignorando os desafios e as responsabilidades dele, a fim agradar o consumidor e obter lucro. Com isso, mentalidade das pessoas é afetada, pois as obras de romances utópicos desencadeiam a falsa ugência de está inserido nesse estado civil, provocando o aumento de crianças decididas a casar.
Posto isso, urge que o Estatuto da Criança e do Adolescente crie leis que proíbam o casamento infantil, aplicando multas às famílias que permitem tal ato, a fim de que a criança tenha a sua infância protegida e possa concluir o processo de maturidade individual, para, assim, fazer suas escolhas consientemente.