O casamento infantil no século XXI

Enviada em 16/05/2021

A série Bridgerton, realizada pela netflix, aborda diretamente a ideia de como eram as relações sociais para arranjar um casamento entre jovens debutantes, ou seja, menores de 16 anos. Toda trama é baseada em costumes do século XIX, onde quem decidia por elas eram seus pais e as ofereciam para homens, geralmente, muito mais velhos e afortunados, afim de continuar a linhagem rica e próspera. Fazendo-as tornarem-se ’’ donas do lar ’’ e mães, sem ao menos terem atingido a maior idade. Infelizmente, em pleno século XXI, esse cenário é frequentemente vivido por diversas meninas, que entram nas estastísticas do casamento infantil, porém com situações variadas que forçam a tomarem essa responsabilidade desnecessária.

Entre essas situações, pode-se citar pressão social e familiar, pois, em uma sociedade patriarcal, as meninas são ensinadas desde a infância que seu papel na sociedade é ’’ encontrar um príncipe ’’ e cuidar dos filhos. Ademais, um contexto vulnerável como; pobreza, esperança de melhoria de vida ou até mesmo, gravidez indesejada, coloca a menina a situações em que é forçada ao casamento. Pois, o elemento racial e o recorte de classe social têm papel fundamental na definição da vida dessas meninas, visto que a maior parte delas são pretas ou pardas e moradoras de regiões pobres dos centros urbanos e zonas rurais e, como consequência, como levam a evadir da escola, sofrer com a falta de cuidados médicos e ser submetida a violência doméstica.

Ademais, segundo pesquisas, com relação à educação, o casamento precoce é responsável por cerca de 30% do abandono escolar feminino e resulta em um nível educacional mais baixo para meninas. Na saúde, as meninas casadas têm menos chances de receber cuidados médicos durante a gravidez e maior risco de complicações graves; além disso, o casamento precoce responde pelas taxas mais altas de mortalidade materna e infantil. Por fim, em violação à integridade, a violência doméstica mostra-se frequente: meninas que casam têm probabilidade 22% maior de sofrer violência de seu parceiro íntimo do que mulheres adultas. Sendo essa, a prova do descaso das autoridades governamentais perante a palta.

Portanto, faz-se necessário a tomada de medidas para erradicar a problemática do casamento infantil no século XXI. É dever do Estado, por meio da legislação, criar leis que protejam a integridade física e psicológica das meninas do país, colocando como crime tal ato e punindo os praticantes dele. Para que, dessa forma, os índices de casamento infantil diminuam e os direitos das crianças sejam devidamente instaurados, protegendo-as de qualquer trauma ou ações que ferem os direitos humanos.