O casamento infantil no século XXI

Enviada em 02/07/2024

Na série “Bridgerton”, retrata jovens debutantes que se apresentam à alta sociedade afim de encontrar um bom partido para se casar. Fora da ficção, fica claro que tal conjuntura faz parte da realidade brasileira atual, haja vista que milhares de adolescentes têm sua infância cessada devido ao casamento precoce. Dentro desse contexto, há dois importantes fatores que devem ser considerados: a falta de visibilidade do assunto e a situação de vulnerabilidade desses menores.

Sob esse viés, é válido destacar que a invisibilidade contribui para a temática. A partir desse raciocínio, de acordo com a filósofa Hannah Arendt, no conceito “Banalidade do mal”, as pessoas normalizando os comportamentos antiéticos, as más condutas e atitudes. Todavia, em consequência da propagação desses atos, o tópico se acentua ainda mais na sociedade e fragiliza o corpo social, dado que a falta de debate faz com que essas posturas aconteçam nas sombras e muitas vezes acobertadas por pessoas que deveriam zelar pelo bem-estar infantil. Dessa forma, essa falta de empatia precisa ser desmotivada.

Outrossim, a questão está vinculada com a vulnerabilidade. Com isso, fundamenta-se o pensamento do sociólogo Pierre Bordieu, em seu termo designado “Violência Simbólica”, em que o que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nessa perspectiva, meninas encontram um escape no casamento com a esperança de uma vida melhor. No entanto, em uma sociedade machista e patriarcal, o que acontece é o oposto, uma vez que ficam presas aos afazeres domésticos, além de ficar mais expostas a violência doméstica e sexual. Logo, é inadmissível que esse panorama continue a perdurar.

Portanto, medidas são necessárias para mitigar o quadro contemporâneo. Em razão disso, cabe ao governo federal, promover ações concretas e efetivas para ampliar os direitos infantis, por meio de campanhas, com profissionais qualificados, com o intuito de conscientizar a população sobre o combate a essas condutas e sua gravidade. Além disso, garantir os direitos inalináveis, visando a construção de uma sociedade mais justa e segura. Para, somente assim, proporcionar uma realidade distinta da que foi exposta em “Bridgerton”.