O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 25/04/2018
Desde o iluminismo, entende-se que uma sociedade só progride, quando um se mobiliza com o problema do outro. No entanto, quando se observa o combate à pedofilia ,no Brasil, hodiernamente, verifica-se que esse ideal iluminista é constatado na teoria e não desejavelmente na prática e a problemática persiste intrinsecamente ligada à realidade do país, seja pelo tabu ofertado pela sociedade em relação a esse assunto, seja pelo pacto do silêncio proveniente do medo da vítima sob o abusador. Nesse sentido, convém analisarmos as principais consequências de tal postura negligente a sociedade.
Paralelamente, falar sobre o sexo em muitas famílias brasileiras, é relacionado como um tabu, o que é inválido quando percebe-se que parte do intelecto do ser humano é sexual. Desse modo, discutir sobre esse assunto esta muito além do contato físico, o mesmo engloba diversas áreas, tais como: identidade de gênero, conhecimento do próprio corpo e principalmente, o entendimento sobre a diferença entre carinho e abuso.
Ademais, muitos casos de assédios são registrados no Brasil, segundo o SINAM, em 2012, houveram 7592 notificações de abusos sexuais, em crianças de zero a nove anos. No entanto, pode-se concluir que dentre esses dados, existem inúmeros outros que não são constatados, devido ao pacto de silêncio imposto pelo abusador contra a vítima, que é ameaçada e se sente incapaz de tomar qualquer prática interventiva, devido a falta de conhecimento sobre os seus direitos, gradativamente não dialogados no cotidiano deste mesmo indivíduo.
É evidente, portanto, que há entraves para garantir a solidificação de políticas que visem á construção de um mundo melhor. Destarte, a família (pais) deve manter uma relação aberta, através do diálogo, sobre as problemáticas que envolvam o sexo, como o abuso sexual, de uma forma natural, para que os seus filhos possam ter mais abertura de questionar situações que não se sintam à vontade, sem apresentar qualquer tipo de vergonha ou medo, e se sintam mais confortáveis na hora de reagir e se defender. Ademais, como já dito pelo pedagogo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas, e essas mudam o mundo. Logo, o MEC, deve instituir, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate a violência sexual, a fim de que o tecido social se desprenda de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, assim como na alegoria da caverna de Platão.