O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 19/05/2018

Como já dissera Vitor Hugo, “não há nada tão poderoso quanto uma ideia cujo tempo chegou”. Nesse sentido, a época chegou para os ideais de dignidade humana e direitos da criança e do adolescente. Contudo, no Brasil, a população, em muitos casos, ainda omiti às violências sexuais sofridas pelos menores.

É importante pontuar, de início, que os pedófilos ocorrem em todas as classes sociais, entre pessoas de diversos níveis de escolaridade, e em todas as regiões do país, isto é, a pedofilia não discrimina. Isso nos remete a tese de banalização do mal da filosofa alemã Hannah Arendt, segundo a qual os grandes carrascos da história da humanidade não foram devotos da crueldade, mas pessoas que simplesmente não tiveram capacidade crítica de refletir sobre o mal que estavam causando. Dessa forma, a pedofilia passa, pois, pela insensibilidade dos pedófilos quanto as drásticas consequências de seus atos.

É valido salientar, ainda, que na visão do escritor britânico Matt Ridley a difusão da literatura durante o renascimento cultural europeu contribuiu para aumentar o grau de empatia das pessoas. Isso ocorre por que, a literatura faz com que o leitor sinta-se “na pele” de pessoas de diversas etnias, culturas, idades e orientações sexuais. De modo análogo, nos dias atuais, livros, séries, filmes e documentários podem ser usados para denunciar o sofrimento de crianças e adolescentes em situações de abuso sexual levando à população, sobretudo os pedófilos em potencial, à refletirem sobre a questão.

Cabe, portanto, ao governo federal e ao terceiro setor a tarefa de reverter esse quadro. O terceiro setor, composto por associações que buscam se organizar para lograr melhorias na sociedade, deve conscientizar a população quanto a gravidade do problema. O Estado, por sua vez, deve ampliar os investimentos e aprimorar às polícias investigativas, além de fornecer atendimento psicológico gratuito às crianças vitimadas por esse tipo de crime.