O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 14/06/2018

A obra intitulada “Lolita”, de Vladimir Nabokov, discorre a respeito de um professor universitário de meia-idade que está obcecado por Dolores, de 12 anos, com quem ele se torna sexualmente envolvido. Assim, a trama serve como um gancho para abordar a respeito da pedofilia no Brasil a partir do momento em que é corroborada a dicotomia existente entre prevenção e agravamento da problemática. Nesse sentido, faz-se necessária uma análise desse hábito nocivo, porém já enraizado, além de soluções para combatê-lo.

É necessário considerar, antes de tudo, que tratar a pedofilia exclusivamente como crime é focar apenas na punição, deixando de lado a prevenção. Nesse sentido, é notório que como outros aspectos da sexualidade, a pedofilia começa a se manifestar na adolescência. Assim, julgar tal ato apenas como crime e não buscar suas raízes traduz uma tentativa de institucionalizar a problemática apenas no campo judicial e não como uma doença que necessita de tratamentos médicos e psicológicos. Segundo o filósofo Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”. Logo, quantos antes o indivíduo reconhecer sua conduta e buscar recursos terapêuticos, menos risco de possíveis abusos infantis.

Convém analisar, também, o legado social e cultural da temática. A chegada do século XXI é marcada pelo surgimento da indústria cultural – caracterizada pela constante busca do lucro, até mesmo, no que diz respeito à hipersexualização da infância. Desse modo, a quantidade de informações veiculadas na internet e na mídia é utilizada como terreno fértil para a democratização de ambientes erotizados, ao qual, qualquer faixa etária tem acesso. Não obstante, a utilização de corpos infantis na publicidade desloca-se em sentido retrógrado às leis que a protegem. Afinal, enquanto a sexualização toma espaço na TV, na moda, nas revistas, entre outros meios, a discussão sobre a prevenção de abusos se torna obsoleta.

Fica claro, portanto, que para tornar viável um Brasil que assegure a integridade de crianças e adolescentes, fazem-se necessárias resoluções. O Ministério da Saúde juntamente com ONGs deve investir em atendimentos médicos e psicossociais, oferecendo, assim, ajuda não somente para aqueles privados de liberdade, como também para os que buscam ajuda psicológica, a fim de garantir métodos para o tratamento da pedofilia. Também é de suma importância que a mídia, como grande formadora de opinião, difunda a necessidade de proteger esse segmento por meio de programas ou jornais educativos, bem como, proíba a publicidade que utilize a imagem dos mesmos de forma erotizada. Só assim, com a mobilização de um todo, haverá mudanças na máxima conceituada por Hobbes sobre o homem.