O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 15/06/2018
Durante o Iluminismo, Kant defendeu a ideia de que todo ser humano é digno. Entretanto, na sociedade brasileira, sobretudo nos últimos anos, assiste-se a cenas constrangedoras, marcadas por atos e comportamentos que atentam contra essa dignidade humana: a pedofilia. Em vista disso, é preciso analisar de que forma a sexualidade vem sendo tratada nas instituições sociais e como a tecnologia colabora na perpetuação desse problema social.
A priori, a educação sexual nas escolas se limita à natureza biológica do sexo. Segundo a psicóloga e colunista da Folha Rosely Sayão, a maioria dos educandários tratam somente do aparato biológico e da sexualidade genital. Em virtude disso, assuntos como direitos sexuais e reprodutivos são raramente conhecidos pelos alunos. Logo, essa falta de informação faz com que muitas crianças e adolescentes enxerguem a realidade de forma distorcida, visto que 70% dos estupros ocorrem por parentes ou pessoas conhecidas da família, segundo pesquisa de 2015 do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas. Dessa forma, os mais novos não saberão distinguir o que é carinho e o que pode ser abuso.
Além do mais, a internet por estar acessível à coletividade, tem se mostrado o principal meio de propagação e instigação à pedofilia. Em virtude disso, o uso precoce e não monitorado da internet por parte das crianças aumenta o risco desses crimes. Isso acontece porque os pedófilos criam falsos perfis como se fossem crianças e, por conseguinte, entram em comunidades virtuais infantis e começam a trocar informações com os menores, já que têm a seu favor a facilidade de acesso às diversas informações. Dessa forma, apesar das práticas pedófilas serem antigas, é no mundo moderno que tende a se apresentar mais danosas, pois marcam as crianças de forma brutal.
É indubitável, portanto, que a pedofilia, no país, é grave e, por isso, providências precisam ser tomadas a fim de solucionar tal infortúnio. Dessarte, a Defensoria Pública junto às entidades da sociedade civil, devem criar um posto voltado às ações em defesa de uma vida digna, recorrendo a advogados, que ofereçam suporte às vítimas no combate à violência infantil, para fazer com que a própria existência do Estado se justifique. Outrossim, as secretarias estaduais de educação devem se adequar às diretrizes do Ministério da Educação e elaborarem um projeto que traga na formação dos educadores competências socioemocionais, como a educação sexual e o respeito aos direitos humanos, para o pleno desenvolvimento das crianças e dos adolescentes. Assim, a dignidade continuará a ser peça fundamental contra a violação dos direitos humanos.