O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 02/10/2018

A Constituição Federal, promulgada em 1988, garante o direito à vida, à igualdade, liberdade e dignidade. Todavia, é notável que a prática não segue a teoria, visto que muitas crianças têm sua integridade violada ao sofrerem abusos sexuais na infância e na adolescência. Fundamentados no pensamento patriarcal que paira sobre a sociedade, alguns homens se veem no direito de abusar dos infantes, fisicamente ou não, trazendo danos irreversíveis a esses. Além dessa cultura machista, outro fator que perpetua a pedofilia no Brasil é a superexposição dos filhos pelos pais na internet, o que pode atrair pessoas má intencionadas.

O livro “Lolita”, de Vladimir Nabokov, retrata a história de um homem que se relaciona com a mãe de uma menina de 12 anos, a fim de ficar perto da garota, a qual tem desejos perversos. Apesar de ser uma obra fictícia, o livro retrata a realidade silenciosa vivenciada por muitas crianças e adolescentes; segundo dados da OMS, 20% das meninas com menos de 18 anos já sofreram abuso sexual em algum momento de suas vidas. Para combater esse cenário, é necessário combater, primordialmente, a cultura machista existente na sociedade, que pode ser notada nos detalhes mais simples, como no termo “novinha” usado com conotação sexual em músicas.

Além disso, há também uma grande exposição das crianças nas redes sociais. A internet é um meio de comunicação bastante difundido e que atende a uma parcela grande da população, o que torna perigosa a exibição exagerada da imagem do infante pelos pais, principalmente com informações sobre endereço onde mora e estuda, uniforme escolar, lugares que a criança costuma ir, dentre outros. Essas atitudes podem atrair pessoas má intencionadas, o que pode colocar em risco a segurança da criança ou do adolescente.

Portanto, à vista dos fatos expostos, torna-se evidente a necessidade de medidas que possam mitigar essa situação. É papel das escolas promover campanhas e palestras que enfatizem os males do machismo na sociedade, a fim de amenizar o patriarcalismo e desconstruir, desde cedo, ideais preconceituosos que podem vir a estimular futuros comportamentos violentos. Por sua vez, é dever da família tomar mais cuidado com o público que pode ter acesso às fotos das crianças, a fim de evitar que tais imagens - às vezes, ingênuas e sem intenção - caiam nas mãos de pedófilos. É dever dos pais, também, ter controle absoluto dos meios de comunicações dos filhos, monitorando eventuais conversas com desconhecidos e pedidos de amizades de estranhos, com o fito de evitar que possíveis agressores tenham contato com os infantes. Dessa forma, será possível amenizar o quadro de pedofilia, e, consequentemente, diminuir o número de Lolitas existentes no Brasil.