O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 30/06/2018
Em fevereiro de 201, na cidade de Teresina - Piauí, o dono de uma escola particular foi preso por pedofilia, denunciado pela família de um aluno que venceu o medo e resolveu contar. Casos assim alertam para as falhas que o combate à pedofilia ainda apresenta no Brasil, as quais decorrem tanto de seu caráter punitivo como da omissão de ocorrências.
Em primeiro plano, cabe ressaltar que embora muito tenha se evoluído no combate à pedofilia virtual, a maioria das investigações no tema ocorrem posterior ao crime, o que demonstra um caráter mais punitivo que preventivo. Isso porque, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 65% dos casos envolvendo crianças e adolescentes de 0 a 19 anos ocorrem com pessoas de dentro da rotina das vítimas. Fato esse, que dificulta a prevenção, visto que os infratores não levantam suspeitas e têm fácil acesso às vítimas, o que representa um entrave à redução dos números de casos.
Além disso, mesmo a vertente punitiva do combate à pedofilia enfrenta a barreira da falta de conhecimento das infrações. Tal obstáculo deriva do medo das vítimas em expor os acontecimentos aos seus responsáveis e da dificuldade que esses encontram em identificar sinais suspeitos caso aqueles escolham o silêncio. Nesse sentido, a pouca disponibilidade de tempo que os pais, por vezes, empregam aos filhos mostra-se como um fator a ser trabalhado. Dessa forma, o cuidado parental apontado na biologia como um importante fator para a proteção da saúde física da prole, aparece como elemento fulcral na garantia da saúde psicológica dessa, a qual impactará todo o resto de suas vidas.
Portanto, fica clara a necessidade da soma de esforços para combater de forma eficiente o problema da pedofilia. Para isso, urge que a família oriente e conquiste a confiança das crianças e adolescentes por meio de conversas e atividades que demandem tempo de convivência, a fim de que os mais novos enxerguem nos mais velhos a proteção e cuidado necessários e sintam-se confortáveis em delatar qualquer acontecimento suspeito. Outrossim, a escola também deve orientar os alunos acerca do tema, através de palestras, rodas de discussão e do incentivo aos próprios estudantes a informarem mudanças de comportamentos de seus amigos, com o objetivo de identificar cedo possíveis problemas e informar aos responsáveis.