O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 29/07/2018

Segundo o pensamento freudiano, o indivíduo considerado pedófilo é aquele que possui um desenvolvimento anormal (voltado para a perversão sexual) cujos interesses se relacionam com a exploração de crianças, principalmente no sentido de conhecimento do próprio corpo. O psicanalista ainda menciona que essas ações são impulsivas e, até hoje, incuráveis. Nesse sentido, vê-se a pedofilia como uma patologia, mas que quando externada, isto é, quando passa a atingir outras pessoas, como a consolidação de abusos sexuais, torna-se um crime. Logo, é preciso manter a sociedade alerta, a fim de evitar a continuidade dos efeitos traumáticos de tal mazela.                     Primeiramente, é preciso considerar que a pedofilia não é um fenômeno recente, mas que tem tido resultados alarmantes nos últimos anos após o advento da internet. Esta, por sua vez, tornou-se coadjuvante potencial das práticas criminosas, isso porque, por meio dessa rede, os pedófilos fazem trocas de fotos, vídeos e diversos conteúdos pornográficos infantis, além de tentar obter contato direto com a vítima, através de chats online. Nesse contexto, na tentativa de trazer a reflexão para os pais, o dia 18 de maio é considerado dia do combate à exploração sexual de crianças, data que também simboliza a morte da garota de 8 anos que foi vítima de tais ações e teve os seus agressores libertos, sem cumprimento de pena.

Em segunda análise, é possível perceber um recuo da sociedade quanto a realização de denúncias dos casos. Isso porquanto o agressor, muitas vezes, é membro do próprio corpo familiar ou são pessoas que têm certa influência na família e, por isso, a vítima –que pode ser dominada pelo medo das ameaças- e alguns envolvidos preferem se calar de forma a evitar escândalos. Desse modo, os levantamentos do IPEA consideram que apenas 10% do total de casos envolvendo os abusos são relatados e, na visão destes, a dificuldade de encontrar os locais para realização das denúncias, bem como a sensação de impunidade, colaboram para essa inércia.

Destarte, urge a atuação reforçada dos pais, por meio de diálogos e debates, levantando discussões sobre o tema para que os filhos possam transpor mais o que vivem. Além disso, é dever do responsável monitorar o acesso às redes, limitando o tempo de uso e verificando o que a criança acessa durante o dia. Ademais, os jornais e a imprensa deverão fornecer instruções através de noticiários sobre como e onde poderão ser feitas as denúncias. Outrossim, o poder executivo terá que agir em prol da vigilância ciberespacial, aprovando o projeto de lei que visa a fiscalização policial nestes meios, com o fito de evitar as ações antes mesmo que elas ocorram. Talvez assim, a patologia descrita por Freud se limite ao campo de atuação mental.