O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 06/08/2018
A obra “Lolita” - escrita por Vladimir Nabokov - retrata a obsessão de um homem por uma adolescente de 12 anos. Embora a narração permita compreender um consentimento por parte de ambos, estudos acerca da história - narrada com viés patriarcal - apresentam um exorbitante abuso por parte da figura masculina contra àquela que deveria ser amparada judicialmente e socialmente pelo estado, uma vez que trata-se de um indivíduo inferior à dezoito anos. O livro relaciona-se, de maneira análoga, à realidade vigente na hodiernidade brasileira, visto que o país detém dados alarmantes no que tange o abuso sexual infantil. Torna-se urgente, portanto, reverter esse cenário estarrecedor presente no Brasil.
Vale ressaltar que, ao observar-se a história colonial, imperial e republicana do estado nacional, nota-se uma defasagem tangente à garantia dos direitos infanto-juvenis. Após o advento da revolução industrial, crianças representavam lucro e não havia um amparo estatal para as mesmas. Ademais, tratava-se de um cenário assalariado e escravista. Todavia, após a proclamação da república, houveram tentativas de transformar esse quadro, no que diz respeito à proteção dos jovens. Dessa maneira, eles foram incluídos nas constituições federalistas, ainda de que modo escasso. Por outro lado, a exiguidade de subsídios à quem mais o necessita ainda faz-se real e, por conseguinte, os dados permanecem ascendentes.
Outrossim, o Brasil registra um vultuoso descompasso no tocante à apuração das denúncias. Pesquisa realizada pela revista Carta Capital mostra que, ainda que existam milhares de casos, metade são reportados, evidenciando, desse modo, a importância de reverter esse quadro. Em síntese, com os números registrados, saberia-se, de maneira pertinente, como reverter essa problemática e a ideia principal de Martin Luther King seria colocada em prática: nunca é tarde para fazer o que é certo. No entanto, enquanto a situação não é transmutada, crianças e jovens são dados como mercadoria na mão de adultos e sofrem traumas que os acompanham até a vida adulta - é importante ressaltar que a frequência desses acontecimentos deve-se ao fato do indivíduo se encontrar vulnerável e ingênuo, por se tratar de uma idade de descobrimentos e aprendizados.
Diante dos fatos apresentados, torna-se perceptível a urgência de cessar os imbróglios presentes na contemporaneidade. Se tratando dessa problemática, o governo aliado à especialistas na temática, deve promover ações nas instituições escolares que visem informar os jovens da importância de realizarem as denúncias. Isso deve ser efetivado por meio de aulas, debates e atividades extracurriculares. Ademais, a mídia, atrelada ao Comitê de Proteção da Criança e do Adolescente, agiria de maneira benfeitora promovendo debates em rede nacional que abordem o tema.