O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 12/08/2018

Para o existencialista francês Jean Paul Sartre a violência, independente da forma pela qual se manifesta, configura-se como um fracasso social. Nessa perspectiva, é fato público e notório que a população brasileira tem diariamente fracassado perante a violência sexual sofrida por muita crianças. Por isso, torna-se pertinente discutir a pedofilia que se alicerça na subnotificação e na negligência da sociedade. Logo, poder público e coletividade devem unir forças para traçar caminhos de combate a pedofilia no Brasil.

Deve-se pontuar, de início, que combater a pedofilia é, antes de tudo, enfrentar a subnotificação.A prova disso é que, segundo o SINAN, muitos municípios brasileiros não encaminham os dados referentes ao número de abuso e, além disso, a taxa de denúncias caiu drasticamente de um ano para o outro. Isso denota que apesar da existência da pedofilia, sobretudo no âmbito familiar, ainda não há notificações condizentes com essa dura realidade. Por conseguinte, tal fato influi diretamente no processo de combate, uma vez que não há como enfrentar algo que ao menos é notificado.

De outro lado, é importante ressaltar que a posição de omissão da sociedade civil dificulta ainda mais a resolução dessa problemática. Na contramão desse silenciamento, vale citar a exibição da novela “O outro lado do paraíso” que utilizou da ficção ao relatar as experiências de uma adolescente abusada pelo próprio padrasto,  contribuindo, indiretamente,  para que a população destituísse tal tabú. Dessa forma, nota-se a importância que a mídia e os setores socialmente engajados têm no combate à esse mal que, em grande medida, atinge a população e causa severos danos socioemocionais.

Diante dos fatos discutidos, é preciso intervir com vistas a combater a pedofilia no Brasil. Para tanto, faz-se necessário que as ONGs que militam a favor das crianças e dos Direitos Humanos pressionem a União, por meio de petições, abaixo-assinado e manifestação em locais públicos, à implantar delegacias especializadas e desenvolver um aplicativo online e gratuito que facilite a denúncia com intuito de diminuir a subnotificação. Em paralelo a isso, é imprescindível que a mídia incentive a denúncia, através de propagandas que divulguem o disque 100. Ademais, cabe a escola, enquanto formadora de opinião, fomentar o debate a respeito do tema objetivando estimular o engajamento social contra a prática da pedofilia. Em suma, através de ações conjuntas entre as instituições públicas e a sociedade civil organizada será possível combater esse fracasso social.