O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 14/08/2018

O axioma matemático, “o todo é maior que as partes”, não se aplica apenas às ciências exatas, mas também às ciências sociais. Nesse sentido, para enfrentar a pedofilia no Brasil, poder público e coletividade devem se unir, uma vez que, juntos, serão mais eficientes para combater esse problema. Diante disso, é essencial enfocar não só em uma maior destinação de verba para mecanismos que façam frente à pedofilia, mas também em uma mudança de postura inerte da sociedade.

Deve-se pontuar, a princípio, que o Estado, por ter gastos supérfluos, não investe o suficiente no combate à pedofilia. Um bom exemplo disso é que de acordo com o levantamento da RBS TV, o orçamento do governo, em 2016, para cafezinhos servidos nos ministérios e na presidência foi de 82 milhões de reais. Tal fato alarmante, aliado a pouca destinação de recursos para campanhas contra a pedofilia e em reformas no Código Penal - que visam, respectivamente, alertar a sociedade sobre o problema e efetivar punições mais rigorosas para os criminosos, evitando a impunidade, dado que muitas vítimas não notificam às autoridades por falta de conhecimento e por medo de represálias-, evidenciam que existe verba para as iniciativas, contudo, falta sensibilidade, por parte dos governantes, em administrá-la. Dessa forma, é imperativo que o Ministério do Planejamento, com o apoio técnico do Ministério da Fazenda, ao elaborar a Lei de Diretrizes Orçamentárias, corte as despesas com futilidades e canalize capital para ações de combate à pedofilia, com vistas a garantir o bem-estar social.

É fundamental ressaltar, ainda, que a passividade da sociedade frente o problema dificulta o enfrentamento da questão. A prova disso está no fato de que, embora existam algumas poucas campanhas de combate à pedofilia com visibilidade, como a “Quebrando o Silêncio”, grande parcela da população não participa e não se mostra devidamente engajada na causa. Com efeito, as vítimas não se sentem confortáveis para denunciar os abusos, posto que, frequentemente, pensam que sua situação não interessa à sociedade. Nesse cenário, é imprescindível que a população, em parceria com ONGs, instituições religiosas e União, esteja ativa e se mostre enérgica nos projetos e campanhas existentes contra a pedofilia, além de adotar uma atitude de amor e compreensão perante às vítimas, a fim de que estas se sintam mais acolhidas e se animem em denunciar àqueles lhes fizeram mal.

Por tudo isso, além das medidas citadas anteriormente, é vital que a mídia, cumprindo sua função social, desenvolva desenhos animados que incentivem às crianças a avisarem os pais se algum adulto ou tocá-las inadequadamente, ou chantageá-las, ou forçá-las a qualquer ato que às violem, com a finalidade de assegurar que qualquer anormalidade seja sinalizada pelos filhos. Desse modo, com esses atores sociais coadunados, se dará o devido combate à pedofilia.