O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 01/11/2018

Na obra “Lolita”, de Vladimir Nabokov, são descritos abusos sexuais cometidos contra uma adolescente de 12 anos. O personagem que realiza esses atos estarrecedores, contudo, parece não se arrepender e narra os acontecimentos demonstrando estar orgulhoso de suas práticas. Fora da ficção, a estória transforma-se em realidade e se relaciona, de maneira análoga, à hodiernidade brasileira, uma vez que o cenário vigente no país revela uma negligência governamental em cessar a problemática, a qual afeta milhares de jovens do sexo feminino diariamente. Desse modo, é irrefragável que a pedofilia configura-se uma problemática nacional que urge soluções estatais e sociais que visem coibi-la.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que o imbróglio supracitado é proveniente de uma sociedade pautada em ideários patriarcalistas, os quais permanecem intrínsecos no imaginário popular, visto o poder da tradição desses. Nesse sentido, nota-se uma dificuldade coletiva em se desvincular de preceitos excludentes e sexistas, que reverberam efetivações alarmantes no tangente a grupos vulneráveis, ironicamente, os mais necessitados de amparo coletivo. Analogamente, o descaso do corpo social frente a existência de abusos sexuais se correlaciona à teoria da “Banalidade do Mal”, da filósofa Hannah Arendt, que explica as atitudes exíguas pela normalização da ocorrência desses. Dado isso, a população deixou de se preocupar com a justificativa de que se trata de algo corriqueiro. Dessa forma, a intervenção moral e ética nesse meio torna-se salutar.

Em segundo plano, é imprescindível salientar as consequências dessa ação na vida dos indivíduos abusados física ou psiquicamente. É tácito que ocorre na infância a formação do pensamento cognitivo, dessa maneira, elucida-se as preocupações em não cessar esse infortúnio rapidamente, haja vista os traumas que podem ser desencadeados na vida adulta. Além disso, aquele que é violentado sexualmente pode tornar-se marginalizado e excluído, o que ratifica a necessidade urgente de interferências externas, com a finalidade de transformar esse cenário. Diante disso, é notório evidenciar que se trata de uma adversidade maléfica em todas as fases da vida dessas pessoas.

Torna-se evidente, portanto, que a pedofilia caracteriza-se como uma problemática nacional, a qual precisa ser transformada e, primordialmente, coibida. Consoante a isso, faz-se fundamental que o Poder Legislativo restitua as leis no tocante à temática, tornando-as mais eficientes, com penalidades justas, todavia, firmes. Para que isso seja feito, deve-se priorizar a atuação de ONGs especializadas no assunto, a fim de que medidas eficazes sejam implantadas. Assim, as crianças e os adolescentes estarão plenamente protegidos e amparados estatalmente. Ademais, é importante que as instituições escolares, desde o pré-ensino, realizem um acompanhamento psicológico com esses.