O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 03/11/2018

Crianças são indefesas, fisicamente fracas, emocionalmente vulneráveis e inexperientes, ou seja, são vítimas em potencial. Ao mesmo tempo, elas representam ideais de inocência, ingenuidade e esperança de um futuro melhor. À vista disso, a violência sexual contra crianças provoca repulsa, nojo e revolta, logo, a sociedade tem receio de discutir esse assunto. Não obstante, o debate e a conscientização são necessários para combater os atos pedófilos no Brasil.

Vale ressaltar, a princípio, que a maioria dos atos de pedofilia no país são cometidos no ambiente familiar, aparentemente seguro. Segundo o Ministério da Saúde, oito em cada dez crimes de pedofilia são cometidos por pessoas próximas às vítimas, seja por vizinhos, por amigos da família ou por parentes. Nesse sentido, o tabu relacionado ao tema desestimula o diálogo dos pais com seus filhos e proporciona dados alarmantes, como o supracitado. Diante disso, os familiares devem ter consciência da importância do debate desse tema e, além disso, precisam saber reconhecer sinais que indicam a violência sexual.

Ademais, a repulsa sobre o tema, que desvia a conversa dos âmbitos familiar, escolar e social, enseja o abuso sexual contra os jovens. Sob esse aspecto, a educação atual das crianças brasileiras é carente de ensinamentos sobre sexualidade. De modo que elas não aprendem em casa ou na escola sobre esse assunto e permanecem reféns de atitudes pedófilas, pois não têm noção da gravidade de tais atos contra a integridade física e mental delas. De acordo com Émile Durkheim, a “consciência coletiva” é adquirida mediante processos de socialização vivenciados pelas pessoas de uma sociedade, como a educação. Logo, é evidente a necessidade de educar precocemente os infantos a respeito dos atos sexuais e da defesa da integridade física, a fim de criar uma consciência coletiva contra a pedofilia.

Portanto, é dever da família prezar pela segurança de suas crianças. Nesse aspecto, cabe ao Ministério da Saúde financiar e organizar campanhas midiáticas de conscientização, voltadas aos pais, com o intuito de salientar a necessidade dos familiares dialogarem com os infantos sobre esse assunto e ensiná-los a reconhecer os sinais de uma possível violência sexual. Outrossim, as escolas possuem um papel fundamental na educação sexual precoce desses indivíduos, com o objetivo de educá-los a reconhecer atitudes que agridam suas integridades física e mental, por intermédio de aulas e atividades lúdicas a respeito da sexualidade. Assim, com essas medidas, efetivar-se-á o combate à pedofilia no Brasil.