O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 26/10/2018

O Estado é uma instituição social de caráter normativo que visa o estabelecimento de leis e regras para o bom funcionamento nacional. No entanto, o acentuado número de crianças que sofrem abuso sexual no Brasil questiona a efetividade das ações do Estado para o combate à pedofilia. De acordo com o Ministério da Saúde, por dia são atendidas cerca de 20 crianças vitimas de violência sexual nos hospitais públicos do país. Dessa forma, é necessário dissertar sobre as possíveis causas da manutenção da pedofilia e as suas consequências na vida da vitima.

Em uma primeira análise, é importante salientar que na maioria dos casos o agressor se encontra no meio familiar do oprimido ou tem fácil acesso a sua rotina. Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 70% dos casos de estupros são cometidos por conhecidos da vítima. Dessa maneira, é evidenciada uma maior dificuldade em identificar o agressor e, consequentemente, a interrupção do abuso torna-se mais árdua. É notória, nesse contexto, a falta de instruções da família e das instituições educacionais para ajudar as crianças a identificarem o abuso sexual uma vez que elas, muitas vezes, não sabem que estão sendo vitimas dessa violência.

Além disso, outro aspecto a ser abordado são os impactos que violência sexual pode gerar na vida do menor abusado. O drama brasileiro ‘’O outro lado do paraíso’’ relata a história de um padrasto, delegado respeitado na cidade, que abusava sexualmente de sua enteada, o que impactou negativamente a vida da vitima, fazendo com que a mesma tivesse problemas psicológicos e dificuldade de se relacionar socialmente. Diante do exposto, é imprescindível que os pais e tutores estejam atentos a mudanças comportamentais das crianças, como por exemplo, isolamento social, irritabilidade e tendências suicidas.

Portanto, medidas são necessárias para combater a pedofilia no Brasil. É preciso que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, promova palestras em escolas de nível fundamental e médio, desenvolvidas e ministradas por especialistas, que abordem educação sexual. Essas palestras devem ter um conteúdo que explique a diferença entre um gesto de carinho e abuso sexual para que dessa forma as crianças aprendam a identificar quando estiverem sofrendo pedofilia por parte de familiares, conhecidos ou outros. Ademais, pais e tutores deverão participar dessas palestras para que os mesmos saibam reconhecer mudanças comportamentais provenientes desse abuso por parte de suas crianças. Tomadas tais previdências, haverá uma maior eficiência no combate ao estupro e uma redução desses abusos.