O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 30/10/2018
De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é assegurado legalmente o direito de jovens e crianças à segurança e bem-estar social. No entanto, a pedofilia no Brasil vai de encontro a essas questões, uma vez que atingiu níveis alarmantes. Isso é decorrente da facilidade comunicacional gerada a partir dos meios eletrônicos entre agressor e vítima, somada à proximidade afetiva existente entre eles na maioria dos casos.
Em primeiro lugar, é preciso discutir o fácil acesso de pedófilos às suas vítimas a partir de redes sociais. Ora, é inegável afirmar que, nos dias atuais, é bastante comum presenciar crianças e jovens usando aparelhos eletrônicos e tendo livre acesso a redes digitais, em que estão propensas a conhecer qualquer pessoa. Dessa forma, as chances de serem abusados sexualmente são potencializadas, visto que, através desses meios, encontros são marcados, e vídeos pornográficos infantis, enviados para a satisfação sexual de outros pedófilos. Os dados do Sistema de Informações de Agravos de Notificação (SINAM) o comprovam a partir de números alarmantes: em 2012, houve cerca de 7.592 notificações de violência sexual entre crianças de 0 a 9 anos; já entre aquelas de 10 a 19 anos, os índices de pedofilia aumentam: 9.919 incidentes. Em ambos os casos, mais da metade envolveu o uso de pornografia e redes sociais.
Em segundo lugar, é pertinente acrescentar a proximidade existente entre vítima e pedófilo na maioria dos casos de agressão sexual. Isso ocorre porque dificilmente haverá desconfiança de que o pai de alguém iria abusá-lo sexualmente, ou de um tio, primo ou amigo próximo, já que as pessoas conviventes consideram inviável esse ato hediondo proveniente de alguém com laço afetivo tão forte. Assim, surge outra facilidade para o pedófilo: o sentimento envolvido entre si e a criança, de modo que suas verdadeiras intenções são disfarçadas por ações inocentemente tendenciosas. Ou como diz o grande historiador Leandro Karnal, o mal vem revestido de bem.
Portanto, a pedofilia no Brasil torna-se séria devido ao fácil acesso dos pedófilos às suas vítimas e à proximidade afetiva entre estas e aqueles. Por isso, o Ministério da Saúde deve investir em campanhas públicas de incentivo ao diálogo familiar a partir de palestras motivacionais ministradas por psicólogos e psiquiatras, abordando casos de abuso entre familiares, por exemplo. Soma-se a essa vertente a fiscalização nas redes sociais, o que pode ser feito pela polícia a partir de infiltrações em salas de bate papo, ou pela família de uma possível vítima. Dessa maneira, as crianças e jovens poderão “navegar” na internet sem medo e vão poder se relacionar saudavelmente com seus familiares