O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 01/11/2018
A filósofa Hannah Arendt salientou que quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Analogamente, na Grécia Antiga, o ato sexual entre um adulto e uma criança era dado como algo normal, haja vista que essa prática significava o início da vida sexual dos menores. Atualmente, a relação sexual com menores de 14 anos é crime no Brasil, sendo cometida por pedófilos ou não. Logo, aqui nos cabe caracterizar e entender o que influencia essa anomalia criminosa na vida das crianças, para que assim, o combate a essa barbárie possa ser eficiente.
Em primeiro lugar, é valido observar o que é a pedofilia e como ela se aplica. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a pedofilia é classificada como uma doença psicológica, sendo qualificada como crime somente quando os indivíduos externalizam os efeitos. Além disso, estudos no Brasil e no mundo, mostram apenas 20% das pessoas sentenciadas diagnosticadas com a doença, sendo a maior parte das agressões cometida por parentes e amigos da família. Ainda mais, dados publicados pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) revelam que, no Brasil, mais de 500 mil pessoas são estupradas por ano, sendo 70% menores de idade. Dentre esses dados, metade dos crimes voltados às crianças são cometidos por pais, padrastos, amigos e pessoas próximas da família, evidenciando assim, a importância dos responsáveis se atentarem para a relação dos conhecidos com as vítimas.
Ademais, cabe ressaltar a influência que a mídia tem nos casos de pedofilia, podendo ser positiva ou negativa. Atualmente, grande parte das músicas difundidas sexualizam as crianças, retratando-as como objeto sexual, principalmente as meninas, fazendo com que a importância de se discutir pedofilia seja vista como algo banal, comprovando o que propôs a filósofa Hannah Arendt. Outrossim, o filme “Lolita”, adaptado do livro do escritor Vladimir Nabokov, retrata uma relação de abuso advinda de um senhor de meia-idade para com uma menina de 12 anos, que, inicialmente, via a situação como algo normal. A obra visual acaba por romantizar a relação abusiva dos dois, deturpando a intenção inicial de Vladimir Nabokov, que era trazer a discussão acerca do abuso e exploração sexual para a sociedade.
Torna-se evidente, portanto, a necessidade de medidas para o combate à pedofilia no Brasil. Para isso, é necessário que ONG’s em parceria com os municípios, levem a discussão do tema para os pais e responsáveis, por meio de campanhas e palestras dentro das escolas, que busquem conscientizar e esclarecer a importância de se perceber os sinais de abusos sexuais nos filhos. Como também, é imprescindível que a mídia televisiva retrate a pedofilia por meio de séries e novelas, visto que nem todas as pessoas têm acesso à internet.