O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 01/11/2018
Denúncia cantada
‘‘Não sou mais eu, sou só nojo de mim’’. Tal trecho, da música ‘‘Pedofilia’’ (do Titãs) revela o trauma que a violência sexual, que dá nome à canção, pode causar nas vítimas. Esse cântico de 2014, assim como o famoso ‘‘Caso Nardoni’’ revelam que o problema não é recente. A perpetuação da pedofilia é motivada pelo descaso público e, similarmente, pela falta de debates acerca do tema.
A ausência de dados centralizados prejudica o combate dessa objeção. Herbert Rodrigues, pesquisador da USP, explica que a falta de estatísticas torna difícil pensar em políticas públicas que amenizem um problema. Fato é que, no Brasil, só em Minas Gerais são registrados 9 casos de violência sexual infantil diariamente. Sem diretrizes acerca do tema, a objeção se propaga com mais facilidade pelo país.
Outrossim, a ausência de debates, sobretudo nas escolas, acentua a pedofilia. Com o fácil acesso às mídias, a sexualização das crianças, principalmente em novelas, contribui para a construção de uma normalidade da situação. Somado a isso, a falta de instrução escolar e familiar sobre o assunto contribuem para a progressão do problema. Por conseguinte, a mentalidade sexual, assim, passa a perpetuar na vida de muitos jovens, vítimas dessa violência são ‘‘caladas’’ e torna-se mais complexo promover a atenuação desse dilema.
Portanto, diante desses fatos, é imprescindível buscar soluções para a pedofilia. Uma boa medida seria a criação de um órgão - apoiado pelo Governo - capaz de buscar dados estatísticos sobre casos dessa violência, como propõe Herbert. A partir disso, nos locais com maior incidência deve ocorrer uma campanha de conscientização pública, com debates promovidos governamentalmente e também com o auxílio de voluntários. Além disso, nas escolas, deve ser incluso psicólogos capazes de instruir jovens e vítimas sobre essa realidade. Em conjunto, tornar-se-á possível, com essas propostas, discutir e minar o que a canção do Titãs denunciou.