O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 02/11/2018
A obra Lolita, de Vladimir Nabokov, aborda a história de uma menina, que com apenas 12 anos, mantém relações sexuais frequentes com o namorado da mãe. O fato de a história ser narrada por Humberto, levam os leitores a acreditar que é uma obra romântica, quando na verdade trata-se de uma narrativa tendenciosa. Fora do cenário literário, nota-se semelhante questão perpetuando-se no Brasil atualmente, visto que, de maneira velada, a pedofilia se configura nos âmbitos sociais, tendo como principais propulsores as falhas educacionais e o sentimento de impunidade.
Observa-se, em primeira instância, que a ausência de educação sexual no âmbito escolar contribui para o aumento nos casos de pedofilia. As escolas ainda enfrentam o sexo como um tabu, visto que, só é abordado sob o viés biológico, quando na verdade deveriam abordar temas como conhecimento do corpo, questões culturais de gênero e em especial, explicar sobre abuso sexual. Entretanto, os pais e a coordenação vêem esse tipo de ensino como forma de acelerar a vida sexual das crianças, posto que, seria uma forma de informar e até evitar o abuso sexual. Nota-se, que assim como o ativista Itamar Gonçalves afirma, é de extrema importância desmitificar a ideia de que falar de sexualidade é ensinar crianças a ter relação sexual.
Outro fator importante é o comportamento da sociedade e da família das vítimas, que, quando não são os causadores da violência, omitem que o abuso tenha ocorrido. De acordo com um levantamento feito pelo Centro de Estudos Superiores de Maceió, o abuso geralmente é cometido por pessoas que vivem na mesma casa que a vítima. Logo, o fator de ser uma pessoa próxima e de confiança, faz com que as crianças acreditem que aquele ato é correto. Outrossim, quando elas sabem que aquilo é errado, não confiam em ninguém para contar e, quando contam, a sociedade e a família preferem omitir para não causar falatórios ou não perder o vínculo com o agressor.
Torna-se evidente, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Cabe ao Ministério da Educação, fazer uma releitura dos cursos de licenciatura, inserindo um estudo mais amplo de educação sexual infantil, na perspectiva de que os profissionais possam repassar para as crianças, com clareza e objetividade, o que é o abuso sexual. Ademais, o Ministério da Educação em parceria com o Ministério da Saúde, deve promover nas escolas, palestras ministradas por psicólogos e profissionais da saúde infantil, voltadas não só para os alunos, mas principalmente para os pais, informando sobre o que é a pedofilia e como é importante para as vítimas receber o apoio da família e o acompanhamento psicológico. Para que assim, ao invés de omitir eles possam agir contra a pedofilia.