O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 13/08/2019

Nos anos 70, a menina Araceli, de apenas 8 anos, foi morta e vítima de estupro. Tal caso comoveu todo o Brasil e, por lei, 18 de maio foi definido como o dia de combate à exploração sexual infantil. No entanto, apesar da luta contra aos abusos, os casos de pedofilia no país ainda são frequentes. Nesse contexto, deve-se analisar que a falta de orientação às crianças e a sexualização infantil contribuem para a permanência desse problema.

De início, é importante destacar que a falta de orientação é um agravante da problemática supracitada. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos, mais de 70% dos abusos sexuais contra crianças são em ambiente familiar. Isso acontece, principalmente, porque a maioria das vítimas não têm noção do que é abuso sexual. Logo, apesar de sofrer pedofilia dentro do próprio lar, a criança acaba não denunciando por não entender a situação e viver sob ameaças de seu agressor.

Além disso, a sexualização infantil também é um fator que contribui com a pedofilia. É cada vez mais comum meninas serem sexualizadas pela mídia, tratando-as como adultas. Um exemplo é Dolores, a personagem de 12 anos do livro “Lolita”, em sua obra, Vladimir Nabokov quis mostrar o que se passa na mente de um pedófilo, denunciando tal comportamento. No entanto, Dolores foi tão hipersexualizada, que o apelido “Lolita” – dado a ela pelo pedófilo – é usado como sinônimo de “menina sedutora”. Assim, nota-se que a hipersexualização infantil têm relativizado a pedofilia, muitos culpam a vítima por “seduzir” o agressor, esquecendo o real problema.

Portanto, ficam claros os fatores que influenciam a permanência da pedofilia no país. Em razão disso, cabe ao Ministério da Educação promover palestras acerca do assunto, com a presença de profissionais que possam, de forma educativa, ajudar os jovens a identificarem possíveis agressões que sofrem em casa, assim encorajando-os a denunciar seus agressores. Ademais, a mídia deve parar de tratar crianças como adultos, respeitando o corpo e a juventude delas, afim de evitar a sexualização infantil. Dessa forma, corrobora-se o combate à pedofilia no Brasil.