O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 12/03/2019

Na Grécia antiga, durante o período Homérico, as comunidades chamadas Genos representavam um modelo estrutural e ideológico de convivência em grupo ideal, pois havia entre os povos da época uma consciência coletiva geradora de uma perfeita unidade social. Nelas, a prática de violência sexual era praticamente nula. Entretanto, evidencia-se, hoje, o retrocesso dessa realidade, já que a problemática da pedofilia ainda persiste intrinsecamente ligada ao fato do Brasil, seja pela liberdade em rede, seja pelo medo.

É convincente destacar, primeiramente, que a internet está entre as causas do problema. Conforme Martin Luther King, todo progresso é precário, e a solução para um problema faz surgir outros. De maneira análoga, percebe-se que a ideia do autor pode nortear acerca do seguimento da pedofilia, haja vista que, embora a internet e a chegada das redes sociais tenham trazido vários benefícios para a sociedade, esses fornecem um meio propício para a ação dos pedófilos, devido o sucesso do anonimato na rede. Desse modo, a falta de um mecanismo eficiente que detecte a prática desses criminosos na internet, provocou a morte e o trauma de muitas crianças e adolescentes no país.                 Cabe apontar, também, que o receio da vítima é um dos impulsionadores da problemática. De acordo com Antônio Gramsci, “a repressão pela classe dominante é insuficiente para assegurar uma ordem social estável, devendo também haver uma sujeição ideológica”. Seguindo essa linha de pensamento, pode-se aplicá-la dentro do contexto da pedofilia, uma vez que, o pedófilo, para não responder pelo crime ou até mesmo para continuar a violentar a vítima, tende a ideologizá-la por meio de ameaças de vários tipos, o que explica o porquê das mártires não denunciarem seu agressor à família e aos órgãos competentes.

Infere-se, destarte, que a continuidade da problemática na contemporaneidade é produto da liberdade na internet e do medo de se fazer denúncias. A fim de atenuar o impasse, o governo federal deve passar a exigir que as redes sociais, ou qualquer outro veículo de comunicação da internet, passem a desenvolver um mecanismo tecnológico que detecte violência sexual por meio das palavras digitadas e da análise de vídeos e imagens. Também, devem buscar aprimorar a restrição de acesso por faixa etária, pois hoje está fácil burlar esse sistema. Ademais, a família e a sociedade deve se atentar às mudanças de comportamentos dos filhos e de pessoas próximas, considerando-se que o medo torna as vítimas bem diferentes de como são. Ainda, a escola pode fornecer atendimento psicológico a todos os alunos, pois esses profissionais podem conseguir quebrar o medo. Assim sendo, construir-se-á um Brasil próximo aos moldes Genos.