O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 21/04/2019
A obra Marília de Dirceu, do escritor arcadista Tomás Antônio Gonzaga, retrata a relação amorosa entre um homem de quarenta anos com uma menina de apenas doze. Longe de ser apenas uma realidade literária, a pedofilia está presente na sociedade brasileira, prejudicando o desenvolvimento psico-social das vítimas. Nesse sentido, é preciso discutir o como a sociedade e o Estado contribuem para a perpetuação dessa mazela.
Mormente, é indubitável a ausência da família no combate à problemática. Sob tal ótica, Talcott Parsons, sociólogo do século XX, dizia que as unidades familiares são a base da sociedade. Entretanto, contrariando esse ideal, muitos pais não só abstêm-se do dever de dialogar sobre temáticas sexuais com os filhos, mas também o de denunciar abusos, já que o sexo é considerado um tabu no país. Dessa maneira, o menor torna-se vulnerável a esse crime devido à falta de apoio dos que mais deveriam protegê-lo.
Ademais, é inocente acreditar que o poder público age efetivamente contra a pedofilia. De fato, segundo levantamento feito pelo Ministério da Saúde, em média vinte crianças são atendidas nos hospitais devido à violência sexual. Esse grande número de casos é resultado da falta de uma política pública, a qual trabalhe na prevenção, por meio do esclarecimento acerca da sexualidade dos pequenos. Além disso, não há abertura para a denúncia em ambientes como a escola, onde eles passam boa parte do tempo. É notória, portanto, a ineficiência do governo.
Destarte, fica axiomática a necessidade da mitigação dos desafios para a erradicação da pedofilia no Brasil. Urge, assim, que o Poder Legislativo, em parceria com as secretarias de educação, crie e aplique nas escolas lei que obrigue aulas de educação sexual, ministradas por professores e psicólogos, de modo a levar informação e incentivar as crianças a denunciar. Somente com medidas como essa, esse problema ficará somente em histórias literárias do passado.