O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 18/08/2019

Legado Psicológico

Em “Lolita”, livro de Vladimir Nabokov, é mostrado a situação psicológica de quem pratica e sofre com a pedofilia. Nota-se o aspecto doentio intrinsecamente ligado a uma sociedade imoral que é retratado no livro e as consequências que os abusos trazem na vida da vítima. Com isso, surge a problemática da apatia da sociedade brasileira frente a tantos casos de pedofilia, retratados diariamente, concomitante com a ineficiência da legislação, que falha em coibir tais comportamentos.

A questão do sexo com menores é um problema que implica a ação de todos na sociedade, desde quem pratica até quem não luta pelo seu fim. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde, cerca de 20% das mulheres no mundo já sofreram algum tipo de violência sexual, estando a pedofilia entre eles. Desse modo, é indubitável que a sociedade tem parte nisso. A pedofilia ainda não é tratada como um desequilíbrio psicológico que deve ser tratado, sendo apenas mais um “crime”, o que apenas remedia a situação momentaneamente, mas, a longo prazo, não altera o paradigma.

Além disso, a ineficiência da aplicação da legislação nesses casos não reflete os danos causados a quem é abusado, principalmente os problemas psicológicos causados a longo prazo.  De acordo com Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar. Ou seja, se a legislação está falhando, é porque cada representante da lei e da sociedade também está. Assim sendo, a capacidade de refrear tais atos deve ser intensificada, a fim de que o real problema seja combatido com maior precisão.

Infere-se, portanto, que a pedofilia é um mal para toda a sociedade brasileira. Destarte, as secretarias de Saúde e Educação de cada município devem, juntas, promover campanhas nas escolas que eduquem as crianças para o conhecimento e a valorização do seu próprio corpo e para a identificação de possíveis pedófilos, indicando meios de combate aos infratores, como o disque-denúncia. Ainda, cabe ao Ministério da Justiça promover reformas na legislação que visem penalizar mais duramente infratores e abusadores, promovendo, ao mesmo tempo, programas de auxílio psicológico para reabilitação enquanto estes são privados de liberdade. Assim, poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido socialmente, e criar gerações que não precisem enfrentar o terror descrito em “Lolita”.