O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 27/08/2019

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito da pedofilia no Brasil. Sob tal análise pode-se ligar a pedra, presente na obra Drummondiana, à crescente repercussão e manifestação da problemática no cotidiano dos cidadãos. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também aos abusos sexuais no meio familiar.

Em primeira análise, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. Segundo Aristóteles, o Governo deve, acima de tudo, garantir o bem-estar da sociedade. Porém, o descaso das autoridades públicas em relação aos alarmantes índices de abuso sexual contra crianças fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar as mazelas sociais. Os dados da pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde, os quais apontam que a cada dia 20 crianças de 0 a 9 anos de idade são vítimas de violência sexual, exemplificam tal desdém. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma transformação político-social, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e os acontecimentos supracitados possam ser mitigados à população.

Outrossim, o abuso sexual intrafamiliar contribui para a acentuação da problemática. De acordo com a teoria da tábula rasa, de John Locke, “o ser humano é como uma tela em branco que é preenchida por experiências e influências”. Nesse sentido, o filósofo ratifica a importância que os pais possuem no desenvolvimento e na transmissão de valores aos descendentes, sobretudo no âmbito comportamental. No entanto, atualmente, percebe-se que muitas famílias brasileiras possuem um histórico de pedofilia dentro do núcleo parental, o que possibilita, por sua vez a formação de problemas no desenvolvimento comportamental das crianças, vítimas do abuso. Dessa forma, medidas devem ser tomadas para reverter essa realidade e impedir que as vítimas permeiem o comportamento dos pais.

Logo, para que o triunfo sob a problemática seja consumado, urge que o concelho tutelar, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova ações na comunidade, de modo a facilitar o diálogo sobre esse mau que assola o país. Ademais, essa ação deverá ser posta em prática mediante a implementação de visitas semanais as famílias da comunidade, com o intuito de estruturar um núcleo familiar comunicativo e sociável à criança. Ainda assim, parte da verba deverá ser aplicada na confecção e distribuição de cartilhas à população, com o fito de mostrar os males físicos e psicológicos que o abuso sexual pode acarretar aos indivíduos, sobretudo às crianças. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.