O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 21/09/2019
O filme “Preciosa” retrata a história de uma adolescente norte-americana que é abusada sexualmente pelo seu pai. Na trama, é marcante as sequelas dessa violência na vida da jovem e a dificuldade dela em reportar o crime. Fora da ficção, no entanto, a pedofilia configura-se, infelizmente, como um sério problema brasileiro, tento como potencializadores falhas educacionais vinculadas a barreiras sociais que dificultam o diálogo entre pais e filhos.
A princípio, é fundamental analisar o papel da escola como mitigadora dessa problemática. Nesse prisma, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificações (SINAN), a maior parte dos abusos sexuais infantis acontece dentro da própria casa. Dessa forma, a escola deve preparar e alertar os estudantes sobre essa violência e, além disso, compartilhar as maneiras de denúncia e como efetua-las. Com isso, por meio de educação, os jovens terão um maior conhecimento sobre a pedofilia e poderão passar a relatar esse crime.
Ademais, para além da educação, é imprescindível romper com o silêncio provocado pelo tabu da sexualização. Tangente a isso, segundo o pai da psicanálise Freud, o ser humano se caracteriza como um sintoma social. Nesse prisma, diante de uma sociedade que vulgariza a sexualidade e culpabiliza a vítima, os jovens se sentem acuados em conversar sobre esse tema com seus pais, assim, dificultando uma possível denúncia e colaborando para que esse crime continue acontecendo. Perante isso, é de extrema importância o rompimento desse tabu, curando esse mal social e quebrando o pacto de silêncio existente.
Infere-se, portanto, que a pedofilia se configura como uma chaga social brasileira, sendo necessária sua erradicação. Desse modo, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) promova a conscientização dos jovens acerca dessa violência, por meio de palestras mensais com psicólogos e profissionais da saúde, para que assim os adolescentes passem a reconhecer e denunciar os abusos. Concomitantemente, cabe ao Governo Federal modificar a visão social da sexualidade, mediante a divulgação de propagandas nas redes sociais, assim, desmistificando esse tabu e favorecendo o diálogo entre as crianças e os seus responsáveis. Só assim, garantindo que o cenário retratado na obra cinematográfica fique limitado à ficção.