O combate à pedofilia no Brasil

Enviada em 27/09/2019

O filme americano “Preciosa”, conta a história de uma jovem que aos 16 anos gera o segundo filho de seu próprio pai. A trama conta com várias vertentes, incluindo o estupro de vulneráveis. A narrativa revela que a protagonista foi abusada dês dos seus 3 anos pelo seu pai e com o consentimento materno, além de receber violências constantes de sua mãe por causa dessa relação incestuosa. O filme conta apenas um relato, dentre milhares que existem no mundo, e assim usa o cinema para denúncia um tabu social e uma cultura erótica de dominação feminina.

Embora seja um assunto extramente complexo, discutir sobre a pedofilia é primordial para reduzir os índices desse crime. Todavia, a maior dificuldade do tema está na denúncia, afinal, a maioria dos abusos ocorrem no ambiente familiar, como no filme, e tem como violador um pai, o padrasto, um tio, o avô ou amigo, ou seja, os que rodeiam a vitima e pela lógica deveriam protege-la, são os próprios criminosos. Essa realidade é comprovada pelos dados do Ministério da Saúde, que afirma que dos 58.037 casos de violência sexual contra crianças e adolescentes, a maioria foi praticada por familiares e agregados, enfatizando o risco e a vulnerabilidade em que se encontram esses jovens.

Ademais, vale ressaltar que a exploração sexual é uma violência democrática, haja vista que o pode ocorrer em todas as classes sociais, sexos e idades, e o estuprador pode ser qualquer um, desde um desconhecido até um familiar. Dessa forma, é perceptível que no Brasil existe uma cultura do estupro enraizada que infringe,entre outros, os direitos das crianças e adolescentes, que tem seus corpos tocados e violentados por terceiros. Mas, ainda são julgados como precursores do abuso, assim a violência acaba sendo neutralizada ou simplesmente negligenciada. Essa situação é comprovada pela pesquisa do Ministério da Saúde, entre os anos de 2011 a 2017, mostrando que em 74% dos assédios houve repetições, porque o abusador não havia sido denunciado, e assim pode exercer sua continua dominação sexual e psicológica.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para atenuar o problema. Primordialmente, o Ministério da Educação precisa incluir em sua matrix curricular a educação sexual, desde o ensino fundamental, para que essa criança conheça seu corpo e possa identificar um possível abuso, e assim, informarem as autoridades sobre os ocorridos. Por conseguinte,é de extrema importância que palestras sejam realizadas nas comunidades, para ajudar a sociedade a entender o problema que envolve o assédio de menores, como identificar e principalmente como denunciar, essas apresentações devem ser feitas por médicos e psicólogos e acompanhadas por assistentes sociais e o conselho tutelar. Destarte, assim como no filme, a vítima receberá suporte para enfrentar essa fatalidade em sua vida.