O combate à pedofilia no Brasil
Enviada em 27/09/2019
Numa sociedade vetusta, a cultura pedófila era aceita e praticada no corpo social da Grécia Antiga. Persistindo atemporalmente, o sociólogo Gilberto Freyre, ao afirma que “o orçamento da vida é a forma como um país trata suas crianças”, mostra a necessidade de se dar atenção aos assuntos que envolvam a infância. Entretanto, a sociedade brasileira vive uma conturbação nessa ordem, já que a pedofilia é uma realidade contemporânea em todo o território. Logo, entre os fatores que contribuem para solidificar este quadro destacam-se as ocorrências em casa bem como a falta de debates e instrução acerca dessa grave faceta criminal.
A priori, é evidente a hedionda parcela de casos que ocorrem dentro dos lares. Nesse contexto, o aliciador é, muitas vezes, um familiar ou próximo da vítima que aproveita de sua vulnerabilidade para obter confiança e pratica a exploração sexual. De maneria análoga a este cenário a obra literária Lolita, do russo Vladimir Lobokov, explora a pedofilia praticada por Humbert, um professor de meia-idade, com a personagem Dolores de 12 anos. Com ênfase, o pedófilo casa-se com Charlotte -mãe da vítima- a fim de continuar próximo da vítima e consumar seus prazeres sem a percepção da genitora. Fora da ficção, percebe-se que situações como essa são corriqueiras, pois a confiança que o aliciador possui das pessoas envolvidas interfere nos cuidados e no princípio de Freyre anteriormente mencionado.
Sob outro ângulo, nota-se que, em virtude de aspectos histórico-culturais, temas relacionados à sexualidade são tabus sociais -principalmente durante a infância- e suas abordagens são mínimas. Por conseguinte, a assertiva do filósofo John Locke reconhece o ser humano como uma tela em branco que é preenchida por experiências e instruções. Consequentemente, a ausência de orientação sobre assédio e crimes de cunho sexual interfere diretamente no número de casos denunciados, uma vez que a criança dificilmente saberá detectar que é vítima de pedofilia. Assim, casos como o de Lolita raramente são detectados, pois o infanto é incapaz de identificar a violação de seus direitos sozinho.
Dessarte, frente a provectos fatores sociais e falta de entendimento o combate à pedofilia é agravado. Portanto, o Ministério da Educação, como instância máxima dos aspectos educacionais, deve adotar estratégias no tocante à desinformação infantil acerca da exploração sexual a fim de obter uma redução de casos e aumentar o número de denúncias pelo reconhecimento da situação. Essa ação pode ser feita por meio de simpósios que elucidem o abuso e práticas pedófilas a todas as faixas etárias. Ademais, é necessário uma maior vigilância do corpo social para comportamentos suspeitos -seja de vítimas ou agressores- e o enrijecimento das leis de crimes sexuais para inibir os aliciadores. Talvez, assim, o princípio de Freyre se estabeleça e mais “Dolores” recebam a devida assistência e cuidado.